Por André Peixoto e Flaviana de Cerqueira
Hoje o futebol mundial tem muito o que comemorar. Há exatos 65 anos, nasceu um dos maiores craques que o Brasil teve a honra de ver brilhar dentro e fora dos gramados. Trata-se de um ilustre belo-horizontino: o gênio Tostão.
Chute inicial
O garoto Tostão, que mais tarde se tornaria o doutor Eduardo Gonçalves de Andrade e o grande ídolo do futebol arte, começou a jogar bola nas peladas do conjunto habitacional IAPI, onde morava em Belo Horizonte. Esse foi o pontapé inicial para que em poucos anos iniciasse sua carreira no América Mineiro e logo em seguida, profissionalmente no Cruzeiro, o seu time de coração.
Nos gramados de Minas Gerais...
Tostão fez as cinco estrelas brilharem mais forte com a extraordinária contribuição que deu para a equipe celeste. Participou da inauguração do Mineirão, o gigante da Pampulha e, junto com Piazza e Dirceu Lopes, formou o famoso tripé na década de 60, que tanto encantou os torcedores da Raposa e os apaixonados pelo futebol. Dentre as suas conquistas no Cruzeiro, destacam-se o penta-campeonato mineiro, o título da Taça Brasil de 1966, além de, ser o maior artilheiro de todos os tempos e ter a maior média de gol no Mineirão (17,8 por ano).
É GOL!!!
Junto com Dirceu Lopes, Tostão formou a dupla que arrasou o Santos de Pelé em uma goleada histórica, 6 a 2, na disputa da Taça Brasil de 1966. Após esse jogo, os jornais o chamaram de “Novo Rei”, status que recusou ao afirmar que era Pelé o verdeiro Rei. Neste mesmo ano, Tostão já tinha carimbado o seu passaporte para a Seleção Brasileira, ele foi o primeiro jogador de um clube mineiro a participar de uma Copa do Mundo. Nas eliminatórias de 69, foi artilheiro com 10 gols.
Na Copa do México, ele viveu o drama de não saber se ia jogar o campeonato, apesar de ter sido escalado pelo técnico Zagallo. Piazza, que foi companheiro de quarto de Tostão, tanto nas viagens dos jogos do Cruzeiro, como na Seleção Brasileira, destacou: “O momento que eu considero como o mais importante com o Tostão, dado pela luta que ele vinha travando com o problema no olho esquerdo, foi quando estavámos em Guadalajara, no México, e o doutor Roberto Abdalla Moura, responsável por operá-lo, o examinou ali mesmo dentro do quarto e falou: ‘pode jogar tranquilo a sua Copa do Mundo!’. Ali não foi só um momento de alegria para ele, mas, para mim, para a Seleção e para todos que depois o viram jogar brilhantemente e conquistar o tricampeonato em 1970”.
O Rei Branco e o “impedimento”
Após a grande campanha feita na Copa do México, Tostão ganhou notoriedade internacional pela sua genialiade e ficou conhecido como o “Rei Branco”.
Em 1972, Tostão deixou as Minas Gerais para jogar no Vasco da Gama, e foi na equipe carioca, no ano seguinte, que finalizou precocemente a sua carreira como jogador, devido a uma inflamação na retina do mesmo olho que quase o impediu de participar da equipe que conquistou o trimundial para o Brasil.
Prorrogação
Em 1981, Tostão formou-se em Medicina em Belo Horizonte, onde atuou como médico e também como professor da Faculdade de Ciências Médicas.
Tostão ficou marcado ao longo de sua carreira pela sua visão de jogo, o mesmo sentido que o tirou dos campos, porém, não do futebol. No início dos anos 90, o “Rei Branco” tornou-se um dos principais colunistas e comentaristas esportivos.
Neste dia 25 de janeiro de 2012, todos os amantes do futebol comemoram os 65 anos de vida deste grande mineirinho de ouro que tanto contribuiu para o futebol do mundo como jogador e para a sociedade como cidadão.
FELIZ ANIVERSÁRIO TOSTÃO!
Com a palavra...
“A consagração e os elogios dados ao Tostão são mais que merecidos pelo grande jogador que ele foi e pelo grande cidadão que ele é. Eu tive a oportunidade de conviver bem com o Tostão em momentos alegres e em momentos mais difíceis, principalmente quando ele teve aquele problema de deslocamento da retina. Como pessoa, filho, pai, amigo... eu que vivi momentos com ele fora das quatro linhas e tenho até hoje o registro do primeiro momento em que fomos a praia, posso dizer que ele é ÍMPAR. No futebol você se relaciona com muitos, mas nem todos tornam-se seus amigos. Como jogador o fato dele ser considerado, nas eliminatórias de 69, o Pelé Branco já sintetiza tudo. Eu fico feliz em expressar isso e fazer parte da história dele. Parabéns Tostão!” – Wilson Piazza, ex-volante e capitão do Cruzeiro.
“O Tostão sempre foi um grande jogador, de caráter adequado, que ninguém conseguiu dobrar. Que continue sempre essa pessoa sincera e positiva. Quero mandar um abraço, felicidades e muitos anos de vida e saúde" - Evaldo Cruz, ex-atacante do Cruzeiro.
“Eu defino o Tostão como gênio. Foi um dos maiores jogadores que vi jogar e que tive o prazer de jogar. Como ser humano, é um cara ímpar, exemplar, estudioso e de uma humildade incrível. Uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida foi ter conhecido o Tostão. Ele é um cara imortal da minha vida. Que essa data se repita por muitos e muitos anos” – Dirceu Lopes, ex-atacante do Cruzeiro.
“Não tem igual ao Tostão. É um cara de caráter, um ser-humano exemplar. Não tenho nada a reclamar dele. Tive com ele oitos anos e meio de Cruzeiro e na Seleção Brasileira. Ele só me ajudou no Cruzeiro. Ele não tem defeito. Feliz aniversário, que Deus lhe abençoe juntamente com sua família” – Natal Carvalho Baroni, ex-atacante do Cruzeiro.
“O Tostão, como jogador de futebol, ele tem que ser considerado um artista. Ele foi uma pessoa que empenhava o seu papel como poucos aí deste nosso planeta. Ao ponto de eu citá-lo como os dez maiores jogadores do mundo que eu vi jogar. Ele foi um craque exepcional. Ele é a própria essência do craque. Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida, meu querido Tostão” – Raul Plassmann, ex-goleiro do Cruzeiro.