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Nacional (URU) 0 x 3 Cruzeiro
Clube mineiro se classifica para as quartas de final da Libertadores
Vinnícius Silva/arquivo
Gilberto marcou o terceiro gol celeste

Ontem, Nacional, do Uruguai, e Cruzeiro fizeram um duelo digno de 5 títulos sul-americanos e 3 mundiais. E, para a felicidade do futebol das alterosas, o esquadrão alviceleste construiu sua 4ª goleada na competição, tirou a “nhaca” de vencer fora de casa na Libertadores desse ano, e garantiu vaga nas quartas-de-final, onde enfrentará o São Paulo, e jogará a partida de volta na capital paulista.

Uma olhada grosseira implicaria um vareio de bola cruzeirense, mas vamos, juntos, chegar à conclusão de que foi um jogo brigado de igual para igual, onde a qualidade técnica alviazul prevaleceu. Começando pelos 8 da 1ª etapa, quando Fabrício meteu um petardo no alto da trave esquerda do arqueiro uruguaio Rodrigo Muñoz, surpreendendo o esquadrão tricolor e mostrando que o Cruzeiro não viajou a Montevidéu para, tão somente, se defender.

A ofensividade cruzeirense era evidente, e o nervosismo alvo logo mostrou suas conseqüências: num recuo de bola mal arquitetado na intermediária tricolor, Sebastián Coates fura o chutão, e a redonda sobra livre para Thiago Ribeiro, que só é parado pela falta, por trás, do próprio Coates, em frente à área uruguaia, pelo lado esquerdo do ataque alviceleste. Na cobrança magistral, Muñoz nem mesmo conseguiu sair do lugar, e Thiago Ribeiro abriu o caminho da goleada cruzeirense: 1x0.

Precisando de 4 gols, os tricolores logo trataram de revidar, e Max Calzada intenta contra a meta alviazul: Leonardo Silva tratou logo de afastar a bola para a lateral. O jogo continuou bastante disputado e brigado, com o Cruzeiro jogando no desespero uruguaio, e o Nacional parando na própria agonia, tendo em vista os tantos impedimentos acusados contra o ataque alvo. E, assim, a partida seguiu para o intervalo.

Nele, Eduardo Acevedo tratou de “rebolar”, e tirou o 2º volante Calzada para a entrada do atacante Diego Vera. Junto com Mario Regueiro e Gustavo Varela, Vera faria a matemática simples prevalecer: 3 atacantes, contra 2 zagueiros cruzeirenses. No início do 2º tempo, porém, a categoria alviceleste e a precipitação tricolor determinariam toda a toada do restante do jogo, em 2 lances.

No 1º, com menos de um minuto de 2ª etapa, Fabrício põe Muñoz para trabalhar, em grande conclusão após cruzamento na pequena área. No 2º, 3 minutos depois, o lateral-esquerdo Diego Renan, com total liberdade, carrega e passa pelos uruguaios até a frente da área, onde arrisca e amplia, sem chance para o goleiro uruguaio: 2x0.

A partir daí, o que se viu foi um total descontrole tático alvo. Normal, tendo em vista a necessidade de, agora, 5 gols em pouco mais de 40 min. Aí, apareceu a vocação defensiva cruzeirense, que tinha jogadores como Kléber recuando para ajudar na marcação. E, também, apareceu as mãos de ouro do arqueiro alviazul.

Aos 7, Fábio espalma tiro à queima-roupa de Angel Morales. No rebote, Coates (aquele!) tenta na pequena área, e o goleiro alviceleste praticamente se atirou, corajosamente, para a defesa. No lance, Coates chuta um Fábio caído e com a bola nos braços, e Leonardo Silva não deixa por menos, e empurra Coates, armando pequena confusão na área uruguaia. Federico José Beligoy, árbitro da partida, deu cartão vermelho direto para Léo Silva e o segundo amarelho para Coates, e ambos os esquadrões ficaram com 10 jogadores em campo.

Em teoria, o Nacional teria perdido mais, tendo em vista a qualidade técnica de ambos os expulsos. Prevendo que a prática viesse a tona, Adílson Batista, técnico do Cruzeiro, tratou de se mexer: tirou Kleber, que passou o 1º tempo quase todo se estranhando com a zaga uruguaia, e colocou Thiago Heleno, repondo a perda de Léo Silva na zaga. A perda ofensiva alviceleste logo “empolgou” os uruguaios, que logo procuraram se aproveitar da situação.

Aos 16, Varela acerta um “varaço” de fora da área, e Fábio entra em ação, espalmando com a ponta dos dedos, para cima do gol. Aos 18, Acevedo tira o lateral-direito Christian Nuñez, e coloca Maurício Pereyra para congestionar ainda mais o meio-campo, e dificultar as trocas de passes entre os alviazuis. Mas aí... Bom, mas aí a qualidade técnica da Raposa das Alterosas fez a diferença. Provocando a expulsão de Varela, após falta violentíssima em Thiago Ribeiro na lateral esquerda do ataque cruzeirense, a altura da divisória do gramado. Imediatamente, Adílson tratou de tirar proveito disso: tirou Fabrício, volante, e colocou Pedro Ken, reforçando a articulação das jogadas. O resultado veio no minuto seguinte.

Ou sem querer, ou por ordem de Adílson Batista, o Cruzeiro descobriu uma “avenida” aberta do lado direito de seu ataque: Coates, q ficava na zaga guardando aquela posição, foi expulso, e Acevedo não tratou de colocar ninguém em seu lugar, talvez por não acreditar que o Cruzeiro fosse capaz de encontrar o que se tornou o ponto nevrálgico da equipe do Nacional. Por lá, Thiago Ribeiro tocou para Jonathan, que mandou o pé, para incrível defesa de Muñoz, já com 26 do 2º tempo.

Os alvicelestes trataram de tentar se aproveitar daquele lado do campo, e, aos 35, fecharam o caixão tricolor: Jonathan, daquele mesmo lado, tocou para Gilberto, livre, concluir e determinar a goleada alviazul: 3x0. Nada de substancial aconteceu até o fim, a não ser pela retirada de Álvaro Gonzalez, que neste jogo fazia as vezes de lateral-esquerdo, para a entrada de Gonzalo Godoy, preenchendo o espaço deixado pela ausência de Coates, já depois do rombo ter sido feito. Wellington Paulista entrou no lugar de Thiago Ribeiro, mas pouco acrescentou ao espetáculo.

A arbitragem argentina foi muito boa. Nada a declarar de substancial do trio. Sinal de que tudo correu bem nesse aspecto. E, assim, podemos chegar a conclusão de que, na Libertadores, meus caros, qualidade técnica e inteligência tática são substantivos mais que necessários para se chegar às vitórias e ao título, e que raça... é coisa de Pet Shop.

Ficha técnica:

Nacional-URU 0x3 Cruzeiro, no Estádio Gran Parque Central, em Montevidéu

Gols: Thiago Ribeiro, aos 28 do 1º tempo; Diego Renan, aos 3, e Gilberto, aos 35 do 2º tempo.

Cartões amarelos: para o Nacional, Sebastián Coates, 28 do 1º tempo, Rodrigo Muñoz, 23 do 2º tempo, Mauricio Pereyra, 29 do 2º tempo, Raul Ferro, 31 do 2º tempo, e Alejandro Lembo, 48 do 2º tempo; para o Cruzeiro, Henrique, 44 do 1º tempo, e Gil, 48 do 2º tempo.

Cartões Vermelhos: para o Nacional, Sebastián Coates, 8 do 2º tempo, e Gustavo Varela, 24 do 2º tempo; para o Cruzeiro, Leonardo Silva, 8 do 2º tempo.

Formações:

Nacional: Rodrigo Muñoz, Álvaro González (Gonzalo Godoy), Alejandro Lembo, Sebastián Coates e Christian Nuñez (Mauricio Pereyra); Oscar Morales, Raul Ferro, Maximiliano Calzada (Diego Vera) e Angel Morales; Gustavo Varela e Mario Regueiro. Técnico: Eduardo Acevedo.

Cruzeiro: Fábio, Jonathan, Gil, Leonardo Silva e Diego Renan; Fabrício (Pedro Ken), Henrique, Marquinhos Paraná e Gilberto; Thiago Ribeiro (Wellington Paulista) e Kleber (Thiago Heleno). Técnico: Adílson Batista.

Escrito em 6 de Maio de 2010, as 17h18, por George Augusto.

Fonte: anotações pessoais, www.espndeportes.com e www.uol.com.br

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Data e Hora em que foi cadastrado Quinta, 06/05/2010 às 21:45:11


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