Por Guilherme Amaral e Vinnícius Silva
Um dos personagens principais do jogo mais polêmico do Campeonato Brasileiro de 2010, Gil, falou com exclusividade ao Futebol de Minas. O zagueiro, autor do pênalti marcado pelo árbitro Sandro Meira Ricci no duelo entre Corinthians e Cruzeiro, estopim de toda a revolta cruzeirense ao final da partida, tem uma convicção: se o lance fosse ao contrário, o árbitro não marcaria a falta.
O pênalti de Gil sobre Ronaldo, que para muitos não existiu, e para outros tantos foi falta clara, acabou definindo a vitória do Corinthians sobre o Cruzeiro, por 1 a 0, no último sábado (13/11), em partida válida pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro. O triunfo corintiano foi marcado pela revolta dos jogadores, do técnico Cuca e dos dirigentes cruzeirenses indignados com a atuação do árbitro Sandro Meira Ricci. A arbitragem teria prejudicado a equipe deixando de marcar pênaltis a favor do time celeste, além de sinalizar impedimentos inexistentes, antes do lance de maior destaque entre Gil e Ronaldo no final da partida.
Para o defensor, o time estava ciente de que se tratava de uma partida decisiva entre dois postulantes ao título. O time tinha confiança que poderia atuar bem, mesmo na casa do adversário.
"Sabíamos que era decisão e ao mesmo tempo estávamos confiantes de que se apresentássemos um bom futebol sairíamos vencedores".
Gil lembra que a irritação aumentava a cada lance durante a partida, o que foi minando a paciência dos jogadores do Cruzeiro.
"Nós comentamos após o jogo sobre os lances capitais do jogo. Falamos ainda antes do jogo que a única coisa que poderia tirar o brilho do jogo era justamente o árbitro e foi a meu modo de ver o que aconteceu".
Já insatisfeitos com a atuação de Sandro Meira Ricci no decorrer do jogo, os jogadores da Raposa receberam o golpe fatal aos 42 minutos do segundo tempo. Dentro da área Ronaldo sobe para dominar a bola e é tocado por Gil no alto. Para o defensor, lance normal que se fosse ao contrário, com um atacante cruzeirense dividindo bola com um zagueiro corintiano, nada seria marcado pela arbitragem.
"No lance do pênalti, se fosse a nosso favor com certeza ele não daria. Dormi com a cabeça tranquila porque sei que não fiz a falta. Aquele lance é normal de jogo. Uma trombada normal. Fico um pouco chateado, mas temos que levantar a cabeça. Sei que fiz, junto dos meus companheiros, o melhor".
Sobre o que aconteceu nos vestiários após a partida, Gil fala pouco e espera que a diretoria do Cruzeiro tome as providências.
"O clima era de revolta pelo o que fizeram conosco, mas nossa diretoria é muito profissional e já está tomando todas as providências cabíveis".
Ainda sob a repercussão do jogo contra o Corinthians e toda a polêmica em torno do pênalti da atuação de Sandro Meira Ricci, o Cruzeiro, que não contará com Gil (expulso no Pacaembu, após o pênalti) retornou aos trabalhos nesta terça-feira, já pensando na próxima partida.
"Já estamos visando o Vasco. Estou fora do jogo, mas com o coração dentro de campo com meus companheiros. Todos esses problemas servem de motivação para o restante do campeonato, porque sabemos que teremos que ganhar de todo mundo".
Para o torcedor chateado com o que aconteceu no sábado e já não acredita tanto em uma reviravolta na tabela de classificação, Gil manda um recado: nada está perdido.
"De coração, essa torcida nossa é maravilhosa. Fiquei bastante emocionado com a recepção no aeroporto. Eles podem acreditar que enquanto houver chance lutaremos para sairmos coroados, todos nós, principalmente essa torcida apaixonante".
O Cruzeiro encara o Vasco no próximo domingo, às 19h30, na Arena do Jacaré em Sete Lagoas.
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