Os dias que antecedem ao maior clássico mineiro são diferentes para as grandes torcidas e também para os atletas. A expectativa do jogo, o clima, a preparação, são alguns dos ingredientes para a partida, que será disputada longe da capital e apenas para torcedores do Cruzeiro (Por acordo entre os clubes, o primeiro jogo foi disputado somente com a torcida do Atlético).
Conversamos com Fabrício, meio campo celeste, que falou sobre a pressão do jogo, concorrentes ao título e muito mais.
Vejam a matéria exclusiva para o Futebol de Minas:
Nota: "Como foi feito no clássico do primeiro turno, teríamos também uma entrevista com um jogador do Atlético, mas o material entregue à assessoria do atleta não chegou conforme prazo combinado. Pedimos desculpas aos nossos leitores e publicaremos a entrevista em outra oportunidade".
Futeboldeminas: Você é reconhecidamente um jogador de declarações fortes. O clássico mineiro historicamente têm declarações quentes dos dirigentes dos dois clubes. Em vésperas de clássicos vale ficar mais calado, sem declarações polêmicas, ou dar uma apimentada aumenta a vontade do jogador em campo?
"Acho que apimentar aumenta só a vontade do adversário. A gente tem que tomar cuidado porque já é um jogo altamente motivacional e qualquer coisa eleva mais a vontade de ganhar, a raiva do adversário, então tem que tomar cuidado. Eu acho que futebol é dentro de campo, declarações a gente deixa pros dirigentes, mas nós jogadores temos que jogar é futebol dentro de campo".
FM: O Atlético tem sido um adversário batido com frequência pelo Cruzeiro, os jogadores celestes entram em campo mais tranquilos por este motivo? Qual a motivação que o jogador encontra extra campo? E você considera o Cruzeiro favorito?
"Tranquilo não. Nunca a gente entra tranquilo em se tratando de clássico, ainda mais agora que eles estão na Zona de Rebaixamento e isso aumenta muito a motivação deles, além de querer quebrar nosso tabu que é em 16 jogos, 12 vitórias nossas, 2 empates e somente 1 derrota, ainda com jogador a menos e time reserva, então eles estão sempre muito motivados e por isso será um jogo muito difícil. E continuo falando que não tem favorito. Acho que em clássico tudo se equivale, se equipara".
FM: Existe alguma pressão para algum dos times?
"Os 2. Acho que tem a pressão do Cruzeiro de se manter na liderança do campeonato e tentar buscar esse título brasileiro, e tem a pressão do Atlético em relação à Zona de Rebaixamento, de não ter que cair denovo pra segunda divisão como aconteceu com eles há um tempo atrás, então a pressão existe pros dois. Diferente, mas pros dois lados".
FM: Para você, o Corinthians e Fluminense, que vivem momentos ruins dentro e fora de campo, seguem na briga pelo título? Além deles, quem o Cruzeiro encara como concorrente direto?
"Com certeza. Corínthians e Fluminense são os que estão mais próximos da gente, então vai ser uma disputa direta pelo título, além deles o Santos, que vem crescendo muito. O Grêmio, apesar do bom momento, acho difícil chegar até 70 pontos. Corinthians, Fluminense e Santos devem brigar por esse título".
FM: A atual base do Cruzeiro, que vem jogando juntos há três anos, conviveu com perdas de títulos importantes, como Libertadores e Brasileiro. O título do Brasileiro em 2010 pode marcar o atual time como uma equipe vencedora? E se não for campeã, rotulará como perdedora?
"Acho que Não. Esse negócio de rotular como perdedora não existe. Temos feito boas campanhas até aqui, é lógico que não temos conquistado títulos mas não é qualquer time que chega numa decisão de Libertadores, ainda mais contra times argentinos, que são os muito difíceis de ser batidos. Geralmente quando chega Brasil x Argentina no final da Libertadores dá time argentino, o histórico está aí pra comprovar isso. Em relação ao Campeonato Brasileiro, nós estamos disputando sempre o título, mas infelizmente não tem acontecido nos últimos 3 anos, mas temos ficado sempre entre os 4 melhores clubes do Brasil, disputando Libertadores 3 vezes seguidas, é um importante marco para o futebol de minas, principalmente por que é muito difícil jogar aqui. Comparando tudo: dinheiro que entra para os clubes, mídia, tudo... somos um pouco desfavorecidos em relação a Rio-São Paulo, então acho que muito pelo contrário, rotular como perdedora seria muito forte, com certeza essa base é vencedora".
FM: O meio de campo do Cruzeiro é considerado um dos melhores do país. Como você analisa isso? Como é pra você, fazer parte de um setor elogiado por todos, que marca muito, mas consegue sair pro jogo?
"Ah, isso é bom, né?! Acho que o futebol brasileiro tem evoluído pra isso. Quando eu comecei a jogar futebol em 2001, principalmente, profissional, era muito cobrada essa saída dos volantes e hoje é quase unanimidade todos os volantes do Brasil marcarem e saírem bem pro jogo. Fico feliz de estar jogando ao lado de grandes companheiros e excelentes profissionais, como é o caso do Henrique, Marquinhos Paraná, Montillo que entra, Gilberto... Enfim, nosso meio sempre tem se mantido muito forte e somos super amigos em relação a isso. Feliz também pelo reconhecimento do nosso trabalho".
FM: Como é a preparação da equipe para um clássico? É diferente?
"É diferente. Há um cuidado maior, principalmente com declarações, menos saídas para jantar para não ter discussão com torcedores, bate-boca. Já existe uma pressão psicológica muito grande por trás disso. Só de falar em clássico já tem a pressão... imagina você saindo e às vezes tendo alguns atritos? Acho que isso aumentaria mais a ansiedade, o fator psicológico ficaria prejudicado. A preparação diferente é em relação a isso, mais cuidado, tudo tem que ser diferente por que é um jogo diferente".
FM: Jogar para uma torcida é um fato novo em Minas Gerais. Como foi a primeira partida e o que espera para o jogo de Domingo?
"No primeiro jogo só tivemos a torcida adversária, a torcida do Atlético Mineiro apoiou o time deles o tempo todo, e esperamos que a nossa torcida faça isso este domingo. Sabemos que clássico pode ser diferente, temos ganho os últimos jogos no Parque do Sabiá com gols aos 15 minutos, mas este provavelmente será diferente e a torcida tem que nos apoiar o tempo todo por que às vezes as vitórias acontecem nos acréscimos do jogo e são realmente aquelas vitórias as que marcam".
FM: Quais os pontos fortes do Cruzeiro hoje? E no adversário, o que mais chama a atenção?
"O ponto forte da nossa equipe acho que é o conjunto. Todo mundo tem a dedicação, a humildade, a determinação do time, o profissionalismo. Todos tem comprado essa idéia de ser Campeão Brasileiro, de continuar na liderança até o final do campeonato, todos estão com o mesmo pensamento, e quando está assim é muito bom. Quanto ao adversário, o que chama mais atenção é lógico que é a qualidade de alguns jogadores, principalmente Tardelli, Diego Souza, o próprio Daniel Carvalho, Serginho... são excelentes jogadores, aí que temos que tomar cuidado".
FM: Deixe uma mensagem aos seus torcedores.
"Acho que é só agradecer ao apoio que eles vêm nos dando, sabemos que é muito difícil para todos, porque temos jogado somente fora de BH, mas felizmente onde temos ido, nossa torcida tem comparecido e tem nos ajudado e é só gratidão que eu tenho por eles. A mensagem é essa, de muito obrigado e que se Deus quiser no fim do ano vamos comemorar todos juntos".
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