Por André Peixoto
Depois de mais de vinte anos jogando futebol profissionalmentel, o atacante Euller se despede dos gramados. O jogador que em maio havia anunciado o fim da carreira este ano, deu o adeus final nesta última segunda-feira (22/08/2011).
Revelado pelo América–MG, o “Filho do Vento, como também é conhecido, jogou por grandes equipes do futebol brasileiro. Além do Coelho, vestiu a camisa do Atlético-MG, Palmeiras, Vasco e São Paulo. No exterior, jogou em duas oportunidades no Japão. Ele também teve a oportunidade de vestir a camisa da Seleção Brasileira.
Na entrevista concedida por Euller ao Futebol de Minas, ele fala da sua carreira, alegrias, tristezas e muitos mais. Confira!
FM - Depois de mais de 20 anos jogando futebol, passando por altos e baixos, você se sente um profissional realizado?
Euller - “Eu olho pra trás, posso glorificar a Deus por que valeu a pena abrir mão de muitas coisas. Abdicar a família, fiquei muito tempo sem ver minha mãe por causa do futebol, quando eu saí de Felixlândia. Procurei ser um atleta profissional, exemplar, desde a base, fazendo sempre o melhor dentro de campo. Fora de campo, procurei ter minha vida um pouco mais regrada das coisas que atrapalham dentro do futebol. Então, hoje eu posso realmente ser grato a tudo isso que aconteceu, por que foram 20 anos de muita dedicação, força de vontade, persistência, fé em Deus, e as coisas aconteceram. Claro que nem todos os sonhos foram realizados, mas a maioria deles. Então, eu sou feliz por todas as conquistas que eu tive”.
FM - Qual o sonho que não se realizou?
Euller - “Disputar uma Copa do Mundo pela Seleção foi uma delas. E o título do Mundial Interclubes, que nós perdemos para o Manchester, quando atuava pelo Palmeiras. Fora isso, as demais coisas, graças a Deus, eu realizei”.
FM - Qual foi a maior decepção em toda a sua carreira?
Euller - “Decepção foi não estar na lista dos 22 convocados para a Copa de 2002, uma vez que, durante toda a eliminatória de 2000 a 2002, eu estava sendo convocado e na hora da lista final meu nome não estava. Então, essa foi a minha maior decepção, não digo decepção, mas tristeza, que eu tive dentro do futebol. Outra grande tristeza que eu tive foi a morte do Serginho, meu companheiro, meu amigo, no jogo do São Caetano e São Paulo, quando a gente jogava pelo São Caetano, também foi outra tristeza. Eu falo tristeza e não decepção por que Deus fez muito por mim e eu só tenho que agradecer”.
FM - Você passou por grandes equipes, se você fosse escolher o melhor companheiro de ataque, qual seria?
Euller - "Romário, no Vasco e na seleção".
FM - Justamente sobre ele que vou falar agora. Em 2008, te elogiou ao falar que metade dos gols da carreira dele, se deve aos passes que você deu a ele, quando jogavam, como você mesmo disse, no Vasco. Como você recebeu esse elogio?
Euller - “Pra mim é importante, fiquei muito orgulhoso disso, por que foi uma aposta minha quando eu estava saindo do Palmeiras.Tive muitas propostas, até mesmo melhor financeiramente pra sair do Brasil, pra jogar na Europa, só que eu tinha ainda o sonho de jogar pela seleção, e apesar de eu estar em uma idade avançada pelo fato de estar sendo convocado pela primeira vez com 28 anos, mais vi a possibilidade de isso acontecer. Por isso eu escolhi o Vasco, por que tinha no Vasco um atacante que poderia casar com minha característica. O Romário que é um finalizador nato, dentro da área não vi ninguém como ele. E eu tinha por característica a assistência, então, pensando nisso eu achei por bem acertar com o Vasco e ver a possibilidade das coisas acontecerem. E de fato realmente aconteceu, pude ir pra lá e ter ele como parceiro, meu melhor parceiro, foi o melhor atacante que eu já joguei”.
FM - De toda a sua carreira, você pode citar uma partida em especial?
Euller - "Uma partida especial não tenho. Eu tenho várias partidas em cada clube que eu passei. Tive muitos momentos oportunos. Se fosse numerar alguma que melhor encaixaria foi a minha primeira partida como profissional aqui no América, aos 17 anos com o Jair Bala. Foi um jogo amistoso, na cidade de Passatempo. Então, talvez por ter sido a primeira partida, aos 17 anos, você ainda juvenil, ter sido uma partida importante na minha carreira, não especial, mais importante pra firmar aquilo que eu pretendia como sonho".
FM - Um gol inesquecível?
Euller - "O gol inesquecível pra mim foi o primeiro pela Seleção Brasileira. Brasil e Venezuela em Maracaibo, 6x0, eu pude fazer o primeiro gol. Pra mim foi inesquecível por que foi a primeira convocação, a responsabilidade de jogar como titular, e fazer um gol, têm que ser lembrado pra sempre".
FM - Em 2004, quando defendeu o São Caetano, você jogou contra o Atlético, que estava na iminência de cair para a segunda divisão. Qual foi a sensação de entrar em campo contra seu clube do coração que poderia cair para a Série B?
Euller - "Bom, primeiro é importante dizer que, quando eu vim para esse jogo, foi um jogo pra mim marcante pelo que a torcida do Atlético fez nas arquibancadas e foi uma das maiores emoções que eu tive como jogador, como se eu tivesse ganhado um título. Você poder ver 70 mil torcedores adversários gritar o seu nome, são poucos que podem receber essa homenagem pelo que eu fiz pelo Atlético, o carinho que eu tenho pela torcida eu só tenho que agradecer".
FM - Sempre que você entra em campo e têm a presença da torcida do Atlético, você é ovacionado por ela. Como você vê essa relação Euller – torcida, torcida – Euller ?
Euller - "Gratificante. Pra mim é um motivo de orgulho e eu sou grato por isso. Eu correspondo todas as vezes que a torcida do Atlético grita meu nome, acho que no mínimo eu posso ser grato. Eu sou grato a torcida do Atlético".
FM - Você foi um dos responsáveis por levar o América a primeira divisão do Campeonato Mineiro, quando fez o gol decisivo contra o Valério. O que passou na sua cabeça naquele momento?
Euller - "Quando eu voltei para o América em 2006, eu sentei com dos presidentes, o Olímpio Naves. Eu tinha um objetivo que era ajudar o América a voltar a elite do futebol brasileiro. Dentro desse tempo, que traçamos um prazo de seis a sete anos para o América estar de volta, pensando no ano do centenário houve alguns tropeços e um deles foi disputar a Série B do Mineiro, mas, tudo isso foi caminhado com um trabalho honesto. Passa por cima disso tudo, por que existem barreiras, etapas a serem passadas, mas essa foi uma delas. Quando naquele momento comemoramos o acesso foi gratificante e que tomara isso nunca mais se repita no América".
A equipe do Futebol de Minas, em nome de todos os leitores e amantes do futebol bem jogado, agradecemos ao Euller por tudo que ele deixou para todos nós. Além de muitos gols, belos lances, o "Filho do Vento" deixou aprendizado de vida. Para os jogadores em atividade e novos que estão surgindo, Euller ensinou como ser um profissional exemplar. A receita é simples: "persistência, humildade e amor pelo que faz".
Mais uma vez, obrigado ao nosso, “Filho do Vento”.
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