Por Reynaldo Trombini
Ele se tornou um dos grandes narradores esportivos da história da crônica mineira e um dos torcedores mais ilustres do Cruzeiro Esporte Clube.
Alberto Rodrigues, 71 anos, se tornou narrador oficial dos jogos do Cruzeiro na rádio Itatiaia e acumula aproximadamente quatro décadas dedicadas ao jornalismo, sendo atualmente uma das grandes estrelas da emissora, em Belo Horizonte.
Em conversa com o site Futebol de Minas, Alberto Rodrigues relembrou o início de sua carreira, falou sobre a temporada 2010, arbitragens e obras para a Copa do Mundo no Brasil. Acompanhe!
FM: Você iniciou a carreira no rádio em 1958 e passou por várias emissoras como Rádio Minas, Inconfidência e Itatiaia. Fale-nos um pouco sobre as boas lembranças e dificuldades do início de sua carreira.
"Todo início de carreira é muito difícil, principalmente no rádio, na minha época, incipiente, com muitas dificuldades técnicas, a tecnologia nas décadas de 60 e 70 ainda era precária. As lembranças positivas eram o entusiasmo de se iniciar uma carreira, que a gente sonhava em abraçar. No meu caso, comecei a narrar futebol muito cedo, na rádio Imbiara de Araxá e aquilo era como descobrir um pedaço muito grande da felicidade. Havia como há até hoje, a inveja, as concorrências até desleais de pessoas que queriam ter aquela oportunidade que eu tive, mas faltava-lhes alguma coisa ou muita coisa, que Deus me concedeu. No entanto, as alegrias ultrapassaram as mágoas".
FM: Já na Itatiaia, aonde ingressou pela primeira vez em 1963, você virou narrador oficial dos jogos do Cruzeiro e se tornou um dos torcedores mais ilustres do clube. O quanto isso é gratificante para você e sua carreira? Fale-nos sobre quando surgiu sua paixão pelo Cruzeiro.
"Na verdade, quando no ano de 63 iniciei na Itatiaia não era locutor exclusivo do Cruzeiro, narrava qualquer time. Somente em 78, quando de minha volta a Itatiaia, com a saída do Vilibaldo Alves e chegada do Willy Gonser, é que houve esta separação, ou seja, o Willy ficou com o Atlético e eu com o Cruzeiro. Nesta época, eu, no fundo do coração, era um cruzeirense e gostava de narrar mais jogos do Cruzeiro. Desde menino, em Araxá, gostava do Cruzeiro, embora na época, em BH prevalecia o clássico Atlético x América".
FM: Uma das pessoas que o convidou para a rádio Itatiaia foi o jornalista Osvaldo Faria, na época ‘Chefe de Esportes’. O que você tem a dizer e relembrar desse grande ícone da imprensa esportiva mineira?
"Osvaldo Faria foi o maior fenômeno do rádio que eu conheci. Tinha um talento nato, sabia comandar uma equipe como nunca, sem deixar de ser paternalista, pois qualquer dificuldade do seu comandado, dentro ou fora da rádio, ele estava pronto para resolver e dar conselhos. Forjou vários profissionais, tinha um prestígio muito grande dentro da crônica esportiva brasileira e até no exterior. A Rádio Itatiaia, é grande hoje, deve-se muito a Osvaldo Faria, como é reconhecido pelo Emanuel Carneiro, o atual presidente da rede Itatiaia de rádio".
FM: Foram várias decisões e jogos importantes desde que você se tornou narrador. Relembre alguns dos principais e mais importantes jogos do Cruzeiro no decorrer de toda sua carreira.
"Ao longo da minha carreira fiz varias decisões importantes, como Campeonato Mineiro, Campeonato Brasileiro, Supercopas, Copa Brasil, Copa do Mundo e outros, fica muito difícil eu escolher uma. Do Cruzeiro não poderia esquecer as 4 Copas do Brasil, o título de 2003, Libertadores de 97, as duas Supercopas 91 e 92".
FM: O Campeonato Brasileiro de 2010 foi decidido na última rodada e apenas 2 pontos trouxeram o titulo ao Fluminense. Como você avalia a atual fórmula de pontos corridos? Em sua visão, o que é necessário para ser campeão atualmente?
"A atual fórmula é a mais democrática de todas as outras fórmulas. Vence aquele time que chegar com mais pontos ganhos, ou seja, aquela equipe que conseguir maior regularidade durante o transcorrer do certame, ter melhor elenco, errar menos e ser menos prejudicado pelas arbitragens, como foi o caso do Cruzeiro".
FM: Outro fator muito comentado na reta final do torneio foi a entrega de jogos e a possibilidade de “mala branca” nas últimas rodadas. Muito se falou também em derrotas dos rivais São Paulo e Palmeiras para impedir o titulo do Corinthians. Como você avalia todos esses comentários da imprensa e torcedores na reta final do campeonato? O quanto isso pode ser prejudicial para o futebol Brasileiro?
"Este foi um ponto negativo do final do Campeonato Brasileiro. Para minimizar esta irregularidade, acho que a CBF deveria colocar no final do campeonato os clássicos locais e até mudar a ordem dos jogos no returno, ou seja, não repetir a tabela do turno".
FM: A arbitragem em 2010 foi alvo de muitas criticas e, inclusive, prejudicou times mineiros. Erros capitais trouxeram dúvidas sobre a qualidade da atual arbitragem brasileira na temporada. Seria a profissionalização o futuro correto para a arbitragem nacional?
"Os árbitros erram desde o meu tempo, quando iniciamos a carreira no rádio na década de 60. Porém, com a tecnologia cada vez mais avançada e a TV presente em quase todos os jogos do campeonato brasileiro, fica mais evidente o erro do árbitro. A TV mostra com todos os seus detalhes. A profissionalização dos árbitros é importante, porém, a meu ver não resolve todos os problemas, pois as coisas acontecem em fração de segundos. Usar da tecnologia mais avançada nas partidas, minora o problema, mas a meu ver, tira o glamour do futebol. Acho também, que os auxiliares não deveriam ser tanto corporativistas e mostrar aos árbitros que eles erraram, podendo reverter uma marcação errônea, como já aconteceu em um jogo do Atlético contra o Palmeiras, na Arena do Jacaré".
FM: Considera que a união dos dirigentes mineiros seria uma boa forma de buscar minimizar os prejuízos que a arbitragem tem causado em MG?
"Sim. Os dirigentes deveriam ser mais unidos e reclamar, sugerir e cobrar em conjunto, dentro das normas e sem usar de meios não lícitos".
FM: Falando da Copa do Mundo no Brasil, muito se comenta sobre os andamentos das obras dos nossos estádios. Você como secretário de esportes, o que tem a dizer sobre o decorrer das obras? Considera que MG tem chance de sediar a abertura do torneio?
"As obras do Mineirão estão correndo dentro do cronograma estipulado e com suas datas cumpridas. Neste aspecto BH ficará totalmente em condições de abrir a Copa do Mundo em 2014 e o estádio do Mineirão, estará, também, prontinho para receber os jogos da Copa das Confederações, em 2013. Quanto ao Independência, as empresas construtoras afirmam que no primeiro semestre do ano que vem o estádio estará pronto".
FM: Quais os seus planos para 2011? Existem rumores que você não permanecerá na Itatiaia.
"Profissionalmente, poderei permanecer na secretaria, dependendo do desejo do nosso governador, ou caso contrário voltar a Câmara dos vereadores, quando terei mais dois anos de mandato. Quanto a sair da Itatiaia, não passou pela minha cabeça".
Defina o futebol brasileiro em uma palavra: Emocionante.
Melhor jogador que já viu atuar: Não vou dizer só o melhor, que foi Pelé, mas pela ordem, Maradona, Tostão e atualmente Lionel Messi.
Um ídolo: Dirceu Lopes, do passado e Alex, o talento, no presente.
Site oficial Alberto Rodrigues: www.albertorodriguesovibrante.com
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