Por Samuel Santos
Fred Couto é candidato a presidência do Atlético Mineiro nas eleições que serão realizadas no dia 15 de dezembro. Fred foi Presidente da Comissão de Patrimônio do clube entre 2005 e 2010. O candidato concedeu entrevista exclusiva para o Futebol de Minas, confira:
Futebol de Minas: Caso o senhor vença as eleições no dia 15, teria como dedicar 100% do seu tempo para o Galo, visto que o senhor é dono da Direção BH, empresa do ramo de construção civil?
Fred Couto: Terei sim como me dedicar integralmente ao Atlético. Minha empresa tem executivos preparados para assumir o comando enquanto eu estiver exercendo a função de Presidente do Atlético.
FM: O Atlético já teve fama nos esportes especializados, inclusive sendo campeão mundial no futsal, pretende investir nestes esportes ou seu foco será como o da atual administração, voltada apenas para o futebol?
FC: Pretendemos investir não apenas no futsal, mas também em outros esportes visando os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Temos que aproveitar estas Olimpíadas para explorar a marca Atlético e, claro, conquistar medalhas. Os esportes radicais também terão vez, com o objetivo de resgatar a juventude do Atlético.
FM: Quais seus planos para as categorias de base?
FC: Procuraremos nossa identidade que há muito tempo perdemos. Só teremos identidade com o aproveitamento da maioria dos garotos. Tenho comigo que precisamos dar ênfase à peneiras na grande BH. Os garotos estão próximos das famílias. Acho isto importantíssimo. Dou exemplos como Cerezo, Getúlio, João Leite, Marcelo, Paulo Isidoro. Mais recente, Fillipe Soutto e Bernard. Também faz parte do nosso plano de governo trazer alguns jogadores das categorias de base de vários clubes da América do Sul. Junto com eles vamos trazer também as famílias, claro.
FM: A torcida sempre questiona o clube por não ter programa de sócio torcedor, o que o senhor pensa a respeito deste tipo de programa?
FC: Entendo que deva ser feito, primeiramente, todo um planejamento antes de falar que vamos voltar com o Sócio-Torcedor. Tudo para não virar uma simples promessa de campanha. O Sócio-Torcedor fará parte de uma série de obrigações delegadas à Diretoria de Novos Negócios que será criada. Devemos planejá-lo com calma para não errarmos novamente. Já falhamos no "Fica Ronaldo" e no "Projeto CEMIG". Não poderemos errar mais. Acredito que um programa como este terá que dar ao torcedor o que ele quer, para termos o que queremos.
FM: Atualmente o CT do clube é considerado o melhor do país, mas se encontra fechado para o maior patrimônio do clube, a torcida, o senhor pretende abrir o CT para os torcedores?
FC: Claro. Vamos abrir o Centro de Treinamento para os todos. Hoje em dia, nem os conselheiros conseguem entrar no CT. Um absurdo. Mas em nossa gestão a entrada terá uma organização para não virar bagunça. Realizaremos um agendamento diário de pessoas que queiram visitar o CT e, ainda, iremos promover, eventualmente, partidas de futebol entre imprensa, torcedores e dirigentes.
FM: Atualmente as atividades do departamento de marketing do clube encontram-se encerradas, o que senhor pensa em relação ao marketing do Galo?
FC: Penso que marketing é investimento e não despesa. Então, ele terá papel importantíssimo na nossa gestão. Primeiramente, a função será de gerenciar e divulgar a marca Atlético com ações pensadas por um profissional do ramo. Digo isso, pois costumo dizer que não me dê um avião para pilotar porque eu não sei e nem sou piloto. Vamos contratar um profissional no mercado para desenvolver um plano de negócios para tornar o Atlético o maior de Minas e um dos maiores do Brasil e do mundo.
FM: O atual presidente do Galo, Kalil, já deu declarações que o contrato de uso para Independência e Mineirão após as reformas não atendem o que o Atlético almeja em termos financeiros. Como o senhor analisa essa situação?
FC: Vamos entrar de cara com o estudo de viabilidade da Arena do Galo.
FM: Sabemos da enorme dívida do clube com o ex-presidente Ricardo Guimarães, dono do Banco BMG, atual patrocinador do clube e que a partir do ano que vem essa dívida passa a ser corrigida pela taxa Selic, qual seria o planejamento do senhor para pagar essa dívida? E existe alguma possibilidade do clube perder o Diamond Mall para antigo presidente?
FC: Não vamos vender nada para pagar as contas, precisamos entrar e ver o que está acontecendo. Quando era Presidente da comissão de patrimônio conseguimos que não fosse renovado o contrato do Diamond Mall de jeito nenhum, temos que analisar e olhar os números. Vamos honrar os compromissos do Atlético.
FM: Nos últimos dois anos o Atlético teve crescimento enorme de receitas e ainda assim o clube brigou para não cair, a que fator o senhor atribui o mau rendimento da equipe em campo?
FC: A falta de critério nas contratações feitas pela atual diretoria. Foram contratados jogadores que estavam em condições físicas ruins (ou porque treinavam pouco no exterior, principalmente em clubes do Leste Europeu e do Oriente Médio que têm ritmo de treino diferente do Brasil, ou porque estavam encostados e sem clube); e também foram contratados atletas que muitos sabiam que não dariam certo por causa das péssimas passagens por clubes daqui mesmo de Minas Gerais, mas mesmo assim a diretoria insistiu na contratação. Soma-se a isso a montagem e remontagem do elenco durante a temporada e, consequentemente, a não manutenção de um time-base, o que foi conseguido apenas em Setembro. Em nossa gestão acontecerá o contrário. Vamos analisar: temos 20 clubes na Série A e 20 na Série B. Portanto, temos no mínimo 1.200 atletas em atividade no futebol brasileiro. Digo sempre que temos que saber tudo sobre estes jogadores. Onde começou, quantas contusões e quantos jogos atuou nas três últimas temporadas. Tendo estes elementos saberemos contratar, formaremos um elenco forte e construiremos um time com "espinha dorsal".
FM: Você acha que o resultado do último clássico pode ter sido manipulado de alguma forma?
FC: Prefiro não acreditar nisso.
FM: Como o senhor avalia a administração Kalil no Atlético?
FC: Os resultados falam por nós. Dentro de campo não temos um time vencedor. Fora dele, a administração patina em contratações erradas, mesmo tendo um orçamento maior para trabalhar. Falta um departamento de marketing para gerenciar a marca Atlético visando a captação de mais recursos para o clube. Resumindo: um desastre.
FM: Como é sua relação com Alexandre Kalil?
FC: Procuro manter o respeito ao Presidente Alexandre. Apenas isto.
FM: Para encerrar por que se considera pronto para ser presidente do clube?
FC: Por que tenho um sonho, tenho uma empresa sólida e que pode andar sozinha e temos gestão. Agora, posso contribuir com algo que acredito. Não posso deixar meu sonho acabar. Precisamos ter um time campeão.
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