Por Poliana Alves
Um dos maiores ídolos do Cruzeiro em todos os tempos e um dos maiores orgulhos da cidade de Pedro Leopoldo fala ao Futebol de Minas. Em um papo descontraído, o lendário camisa 10 cruzeirense manifesta sua opinião sobre polêmicas que envolvem o futebol atualmente, fala sobre a equipe celeste em 2011, entre outros assuntos...
Taça Brasil
Futebol de Minas: Recentemente o Cruzeiro ganhou mais um título do Campeonato Brasileiro através do reconhecimento da Taça Brasil 66, no qual o senhor foi um dos principais colaboradores. Como foi poder comemorar esse título depois de tanto tempo?
"Olha foi uma coisa maravilhosa, não tem preço. Todos os títulos que o Cruzeiro conquistou são especiais, mas eu considero o título da Taça Brasil o mais importante de todos, porque nessa época o Cruzeiro ainda era a terceira força no Estado e o futebol mineiro ainda era muito caseiro. A partir dessa conquista, o Cruzeiro se tornou uma potência, projetando o futebol mineiro tanto no Brasil como no exterior. Quando o Cruzeiro ganhou o primeiro jogo das finais no Mineirão por 6 a 2, a imprensa, principalmente a imprensa paulista considerou o resultado como uma grande zebra, ninguém esperava que o Cruzeiro pudesse ganhar do Santos de Pelé, que era uma verdadeira máquina de jogar futebol. Na verdade, nem nós jogadores esperávamos um resultado como esse na época".
Cruzeiro 2011
FM: Muito se esperava de times como Santos e Fluminense nessa Libertadores, mas quem vem encantando a todos mesmo é o Cruzeiro. Qual é sua a expectativa em relação a essa equipe de 2011?
"Eu particularmente estava meio receoso em relação à equipe do Cruzeiro no começo do ano, mas agora não, pois o time está muito bem sob o comando do técnico Cuca e conta com um grande craque que é o Montillo, que caiu como uma luva no time. Em minha opinião ele é o melhor camisa 10 contratado depois Alex. O Cruzeiro foi muito feliz na contratação dele. O time tem também o melhor goleiro do Brasil, acertou a zaga, o meio de campo está muito bem e tem tudo pra acertar o ataque também com essas novas contratações".
FM: A torcida está empolgada com o desempenho do time nesse início de temporada, mas há um jogador que vem destoando desse bom momento da equipe celeste: Wellington Paulista, que não vive uma boa fase. O senhor acha que ele ainda merece uma vaga na equipe ou é hora de dar chance para um atleta que está numa fase melhor?
"O que está acontecendo com o Wellington Paulista acontece com todo jogador chamado artilheiro, ele não é um craque, mas essa fase ruim pode passar a qualquer momento e fazendo gols ele volta a cair no gosto da torcida".
FM: O Atlético anunciou nessa semana a contratação do atacante Guilherme, ex-Cruzeiro. Qual a sua opinião sobre essa “polêmica” contratação?
"Acho que não tem nada a ver essa polêmica, hoje em dia esse negócio de camisa acabou, não existe mais essa preocupação. Um exemplo disso é o próprio Leonardo Silva que foi ídolo no Cruzeiro até bem pouco tempo e hoje está no Atlético".
FM: Tem se especulado também uma possível vinda do Imperador Adriano para o futebol mineiro. Qual a sua opinião?
"Não acredito que ele venha para Minas. O Cruzeiro vive um momento pé no chão e não arriscaria fazendo uma contratação dessas. Acredito que o Atlético também não faria um investimento desses".
FM: Outra pergunta sobre atacantes, dessa vez sobre o Fábio Júnior do América, que apesar de estar em uma idade considerada avançada para um jogador de futebol, vem se destacando, fazendo muitos gols nessa temporada sendo inclusive cogitado para vestir novamente a camisa do Cruzeiro. O que você acha dessa possibilidade?
"Acho que não é uma boa ideia, porque o Fábio Júnior saiu desgatado do Cruzeiro sendo vaiado e tudo mais, não acho que seria bom pra ele nem para o clube".
FM: Como o senhor avalia o Campeonato Mineiro desse ano?
"O futebol do interior andou perdendo muito espaço porque os jogadores começaram a querer a ganhar salários iguais aos dos times da capital, o que acabou enfraquecendo muitas equipes, mas eu vejo que isso está mudando e as equipes do interior estão se estruturando melhor, os dirigentes estão procurando tratar os clubes como empresas, o que é o correto a fazer".
FM: E a polêmica em relação à transmissão dos jogos? Qual seria a melhor solução na opinião do senhor?
"Acho que essa disputa foi a melhor coisa que poderia acontecer com os clubes, pois o monopólio nas transmissões de televisão não é benéfico porque faz os times perderem dinheiro; não é bom também para o torcedor".
Brasil na Copa
FM: O Brasil está prestes a sediar o evento mais importante do futebol, a Copa do Mundo. Em sua opinião, o país estará apto a fazer um bom mundial ou o atraso nas obras realmente preocupa?
"Se eu dissesse que não preocupa estaria mentindo. E a gente, como brasileiro, não quer que o Brasil faça feio. Acho que o governo da Dilma tem tudo para ser melhor ainda do que o do Lula, porque ela é muito ligada às áreas técnicas e isso vai contribuir para que o Brasil seja uma boa sede da Copa do Mundo. Acredito que apesar de São Paulo ter mais força política e econômica, Belo Horizonte tem chances de fazer a abertura da Copa, pois as obras estão bem adiantadas e a FIFA valoriza muito essas questões técnicas".
Trabalho como Secretário de Esportes
FM: Como é o trabalho do senhor na secretaria de esportes de Pedro Leopoldo, sua cidade natal?
"Na verdade eu nunca pensei em trabalhar com política, nunca tive essa ambição. Aceitei o convite pra ser secretário de esportes porque o prefeito, meu amigo de infância me chamou, e eu tinha certeza que teria o apoio necessário para poder fazer um bom trabalho. Eu particularmente não vejo fórmula mágica pra combater essa situação caótica, envolvendo drogas e violência em que muitas pessoas se encontram, a não ser pelo caminho da educação e do esporte".
Encontro com o Presidente Lula
"Um momento especial que eu vivi como secretário de esportes, foi em 2009 quando estive em Brasília e fui recebido pelo presidente Lula, que me tratou com todas honrarias, ele conhece toda minha trajetória no futebol, talvez até melhor do que eu mesmo. Foi um momento gratificante pra mim".
Hora de parar
FM: Recentemente um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, Ronaldo Fenômeno, anunciou sua aposentadoria, um momento difícil para qualquer atleta profissional. Qual a dica que o senhor dá para os jogadores que chegam nessa fase da carreira, fale um pouco da sua experiência.
"É realmente difícil, porque a gente sente nessa hora como se o mundo tivesse acabado que não há mais sentido nas coisas. Em um momento desses é muito importante o apoio da família e eu tive esse apoio, sempre fui um cara muito família. No meu caso essa transição não foi tão dolorosa porque eu rapidamente já fui me envolvendo em outros negócios, me tornei empresário de roupas. Acredito que o Ronaldo também está bem encaminhado nessa questão".
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