Um fantasma que ronda todas as discussões sobre o futuro da mídia resolveu aparecer. O fim do jornal impresso já fez a sua primeira vítima no país: o grande Jornal do Brasil circulou nas bancas pela última vez nesta última terça-feira, dia 31.
Já que aqui falamos de esporte, vamos apenas citar algumas importantes trincheiras levantadas por este jornal: não foi conivente com a ditadura militar; nos anos 40 e 50 foi pioneiro na diagramação moderna e na linguagem adotada; contou com jornalistas e colunistas notáveis, como Carlos Drummond de Andrade e Zózimo Barroso do Amaral e, além disso, foi o primeiro jornal brasileiro a ter sua versão online, e foi vítima disso.
Nos anos 80 e 90, lembro de chegar correndo na casa dos meus avós maternos e correr para o piano da sala para pegar no banquinho do instrumento os jornais que meu avô Lincoln assinava. Entre eles, estava o velho e bom JB.
Pegava de cara a parte de esportes. Era muito legal aquele contraste de letras sempre bem negras e grandes nas suas manchetes - os anúncios sempre em negrito também - com as fotos dos jogos; dos times do Rio; dos craques da época que não eram poucos e das torcidas no Maracanã. As fotos sempre muito bem focadas, coloridas. Também eram tiradas pelo mestre Evandro Teixeira!
Sempre depois de um clássico no maior do mundo, o JB trazia não só a crônica de um jogo de futebol, mas um álbum de fotografias daquele momento. Vai deixar saudades esta escola de jornalismo esportivo por onde passaram Fernando Calazans, José Trajano, Mauro Cézar Pereira, Lúcio de Castro, Márcio Guedes e tantos outros.
Salve o JB!!!