Muitos vão falar que ainda é cedo, outros que torço contra, alguns falarão que sou corneta, mas nada disso vai impedir de dar minha opinião sobre a equipe do Cruzeiro.
No ano passado, a equipe Celeste fez uma campanha medíocre, a pior de sua história, e por pouco não aconteceu a tragédia de cair para a segunda divisão do futebol nacional. Em 2012, a esperança de todos era de mudança total, o novo presidente prometeu que reformularia o elenco e muitos até pensaram que o comando técnico da equipe seria modificado (o que não aconteceu por enquanto), mas na prática vimos 10 contratações, sendo que nenhuma com 100% de aval de torcedores e analistas (mesmo sabendo que toda unanimidade é burra, como diria Nelson Rodrigues) e para piorar, na opinião deste jornalista, conseguiram enfraquecer o único setor da equipe que se salvava na temporada passada, tanto pela qualidade, como pelo entrosamento. Apesar de algumas péssimas partidas em 2011, Charles, Fabrício e Marquinhos Paraná, até que provem o contrário, são muito melhores do que os volantes contratados.
O novo mandatário celeste disse que os jogadores das categorias de base seriam valorizados, mas na primeira partida oficial do ano, o jovem e promissor Elber não figurou nem no banco de reservas. Será que contratar 10 jogadores bem “mais ou menos” e não dar chance para as pratas da casa é o correto? Apesar dos questionamentos, não é o momento para criticar Gilvan, que herdou do seu antecessor um clube com problemas nas finanças e alguns contratos ao quais ele é obrigado a cumprir. Mudar toda uma filosofia não é algo fácil, necessita de tempo.
Além disso, dentro de campo, os maiores defeitos da equipe que quase caiu continuam. A falta de velocidade no setor ofensivo, que deixa o Cruzeiro uma equipe totalmente previsível, continua incomodando a todos (menos os adversários). Está mais do que comprovado que a dupla Wellington Paulista e Anselmo Ramon é uma grande piada de mau gosto. A esperança do torcedor é que Walysson e Walter, que estão aquém da melhor forma física assumam o setor.
O Cruzeiro foi a equipe brasileira que teve o maior tempo de preparação, mas dentro de campo, tanto nos amistosos contra América e Mamoré e na estreia do Campeonato Mineiro contra o Guarani não foi mostrado nada de novo, pelo contrário, parecia que a equipe nunca havia treinado junto, um bando de jogadores correndo sem saber o que fazer. Sem qualidade no apoio dos laterais e com dificuldades de marcação neste setor.
É claro que é o início do ano e muita coisa pode melhorar, mas é bom a diretoria do Cruzeiro repensar algumas coisas e tentar corrigir erros claros na avaliação de algumas contratações. Vou um pouco além, repensar se foi a escolha certa manter Mancini como treinador. Eu não vou ficar em cima do muro, na semana seguinte ao último jogo do Brasileirão 2011, eu teria demitido o treinador.
Tentar arrumar as coisas durante uma temporada em vigor nunca é a melhor opção, mas se a diretoria reconhecer alguns erros e pensar em mudanças este é o momento. O ditado é antigo, mas vale: antes tarde do que nunca.