O CLÁSSICO DAS MULTIDÕES NAS SEMI-FINAIS E A QUESTÃO DO FAVORITISMO
Nós , americanos, estamos novamente em uma semana de um clássico contra o time do Atlético. Um clássico dessa natureza, desde os tempos do “clássico das multidões”, mexe e muito com nossas expectativas. Afinal é um jogo que nos coloca frente a frente com nosso histórico rival. Se fosse um amistoso já teria esses ingredientes, imaginemos, então, no caso do de domingo que começa a definir um dos finalistas do mineiro.
Por essa tradição do clássico é normal e inevitável que uma discussão venha à tona: quem é o favorito? Nos últimos anos esse favoritismo tem sempre sido atribuído ao time alvinegro. Será que em função de uma superioridade técnica ou devido ao peso de uma torcida quantitativamente maior? Fato é que esse favoritismo influi , as vezes negativamente, na dinâmica do jogo quando, por exemplo , a arbitragem se deixa contaminar por ele, e isso acontece muitas vezes, para não ir muito longe vamos lembrar do pênalti inventado no último clássico.
Mas esse “favoritismo” não tem encontrado correspondente na realidade, se atentarmos para os fatos, veremos que nos últimos confrontos o equilíbrio foi a tônica e os jogos de 2008, 2009 e 2010 terminaram empatados. A rigor a última vitória do clássico foi do América, na primeira fase do campeonato mineiro de 2011. Alguns representantes da imprensa, porém, insistem no tal favoritismo atleticano no clássico que se aproxima Já que é assim, torna-se interessante fazer um contraponto com alguns questionamentos que não são motivados pela paixão “clubística”, mas talvez por uma análise fria dos fatos.
Na primeira fase vencemos o Atlético quando esse tinha, no papel, um time bem melhor com valores como Tardelli, Jobson, Ricardinho e Zé Luiz. Esses já não farão parte da história desse clássico. O nosso adversário está sendo remontado e portanto não possui ainda aquele entrosamento que é tão necessário nas horas decisivas. Entrosamento é o que não nos falta, afinal, temos um conjunto , com o mesmo técnico há mais de uma ano.Sobre o argumento da vantagem, ela existe, mas em 2001 conseguimos revertê-la contra o mesmo Atlético e nos sagramos campeões.
Por essas e outras não podemos esconder que estamos confiantes. Sabemos que a receita para ganhar os clássicos e irmos para as finais não é muito complicada. Um sistema defensivo que saiba neutralizar as jogadas que vêm por baixo, acho que bolas altas não são forte do nosso rival; um meio-campo que saiba ligar rapidamente o ataque; e um companheiro para o Fábio Júnior que jogue em função dele como o Luciano sabe fazer. Esses ingredientes aliados a determinação e vontade que devem estar no espírito de todo o jogador que dispute um clássico, nos darão a vitória e farão com que algumas pessoas repensem o conceito de favoritismo no “clássico das multidões”.
Da parte de nós torcedores é preciso converter a emoção e expectativa em presença no campo e torcer , torcer muito para que na segunda-feira esse papo de favorito mude de lado.
Saudações americanas
Elias José