“Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião, somos o futuro da nação, Geração Coca-Cola” (Legião Urbana).
Quando a Legião Urbana entrou no estúdio para gravar a música citada acima, o Brasil vivia outro momento. Com certeza a “geração coca-cola” já passou. Alguns chamam a juventude atual de “geração internet”. Não tenho opinião formada sobre isso. Observo que a nossa geração parece mais centrada, sem se preocupar com ideologias e evitando utopias.
O jovem brasileiro se acostumou a viver para o trabalho, buscando mais dinheiro e menos emoções. Acostumou-se a conviver com a violência, com corrupção, com reeleições de Malufs e Sarneys, além de artistas aventureiros que se elegem em cargos de grande responsabilidade. Vemos, ainda, os parlamentares criarem leis para beneficiarem a si próprios.
Lamento que a nossa geração também tenha se acostumado a viver sem Airton Senna, sem Maguilla e Popó, que foram vencedores, apesar das adversidades. Muitos de nós não presenciamos a carreira de Pelé, Garrincha, Romário e outros grandes gênios do futebol brasileiro. Todavia, tornou-se corriqueiro matar em nome do amor ao time de coração.
Terminamos a primeira década do terceiro milênio sem nenhum brasileiro entre os candidatos a melhor jogador de futebol do ano - Marta salvou a nossa reputação no futebol feminino - e com Adriano (Roma), um dos atletas mais desejados pelos clubes nacionais, sendo eleito o pior jogador do campeonato italiano pela terceira vez. E pior: entre os dez piores que atuam na Itália, estão seis brasileiros. Os outros nomes são: Ronaldinho Gaúcho (Milan), Felipe Melo (Juventus) que concorria ao bi, Mancini (Inter), Diego (ex-Juventus) e Amauri (Juventus).
E tem mais: o craque do campeonato brasileiro é um argentino, Conca (Fluminense), que concorreu com Montillo (Cruzeiro), também da Argentina. Só para enaltecer mais ainda o nome dos “hermanos”, Messi pode ser escolhido o melhor do mundo na temporada 2010.
Isso sem falar na Copa do Mundo que só trouxe vergonha para o país. Felipe Melo foi a cara da seleção brasileira. A dúvida é se o vexame foi por falta de nomes melhores para levar à África ou se, por não terem sido convocados, grandes nomes desistiram de jogar futebol no segundo semestre. O Internacional foi a última chance dos brasucas de justificar a fama de país do futebol, mas perdeu para um time africano na abertura do Mundial Interclubes nessa semana e deu adeus à competição.
Qual seria o motivo de tantas perdas do futebol brasileiro. O poder dos treinadores tem ofuscado o brilho dos craques? A fama e a quantidade de dinheiro têm subido à cabeça dos jovens mais talentosos?
É hora de buscar respostas e resgatar a força do nosso futebol. A próxima copa é aqui em nossas terras. Não queremos ver outra nação levantar o caneco aqui, como o Uruguai de 1950. Com os argentinos tão à vontade em nossos domínios, corremos o risco de vê-los ganhando o mundial e enterrando de uma vez o nosso futebol.