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Morte de torcedor do Cruzeiro poderia ter sido evitada?
Local onde ocorreu o crime: Av. Nossa Senhora do Carmo - Savassi - Belo Horizonte.

O assassinato do jovem torcedor do Cruzeiro, Otávio Fernandes de 19 anos, no final do ano passado, chocou o Brasil. As câmaras de segurança registraram o cruel espancamento do torcedor cruzeirense, que mesmo já estando caído no chão continuou a ser covardemente agredido e acabou não resistindo aos ferimentos. Notícias como essa jamais deveriam aparecer no noticiário esportivo, mas infelizmente a violência está constantemente ligada à imagem das Torcidas Organizadas.

A trágica morte de Otávio aconteceu na portaria de um evento de Artes Marciais Misturadas (MMA). Torcedores do Atlético foram ao evento para torcer por César “Gordin” que é professor de artes marciais da Galoucura. Segundo Paulo Henrique de Oliveira, o Paulinho GZO, a Galoucura sempre solicita escolta da Polícia Militar para eventos promovidos pela torcida, mas como nesse caso não era um evento particular da Galoucura, eles acharam que não era necessário fazer a solicitação. Os torcedores do Cruzeiro envolvidos na confusão foram ao evento para torcer para um ex-professor da Academia da Máfia Azul: Maurício Facção. Segundo Francisco de Souza, o Chiquinho, diretor de patrimônio da Máfia Azul, todos os torcedores do Cruzeiro que foram ao evento tinham ingressos. Mas eles nem chegaram a entrar, porque o confronto aconteceu fora das dependências do Chevrollet Hall, local do evento.

Chiquinho acredita que a morte do torcedor poderia ter sido evitada se houvesse um policiamento mais ostensivo: “Acho que a briga poderia acontecer mesmo com uma presença maior de policiais por causa da rivalidade entre as torcidas, mas a violência extrema e uma morte daquele jeito, eu acredito que não. Acho que faltou mais policiamento mesmo” – diz. O delegado Breno Pardini, responsável pelas investigações do caso, discorda: “Havia policiais em número suficiente, estavam presentes pelo menos 3 ou 4 viaturas no local. O policiamento era um fator inibidor a mais, mas a sede de violência dos agressores era tão grande que não foi possível evitar a morte do torcedor” – afirma. Ainda de acordo com o delegado os policiais conseguiram evitar pelo menos mais duas mortes na ocasião.

Casos como esse ajudam a construir uma imagem negativa das Torcidas Organizadas cada vez maior. Paulinho (GZO) da Galoucura, diz que fatos como esse são isolados e que a torcida promove constantemente ações sociais como doações de sangue em massa, mas eventos desse tipo são pouco divulgados. Chiquinho, diretor de patrimônio da Máfia Azul, tem a mesma opinião: “A Máfia Azul promove um monte de ações sociais, não só em Belo Horizonte, mas em todas as filiais do Estado, só que não isso não é divulgado, porque a mídia está acostumada a divulgar só as coisas ruins das torcidas” – afirma . O diretor da torcida organizada do Cruzeiro acredita que medidas de prevenção precisam ser tomadas para evitar que relatos tristes como o que ocasionou a morte de Otávio não se repitam: “Acho que todos os membros devem ser cadastrados, os que promoverem confusões devem ser punidos pelas diretorias, produtos das torcidas organizadas só devem ser vendidos para membros da torcida” – argumenta.

Atos covardes como ocorreram em Belo Horizonte poderão acontecer novamente em Minas Gerais ou em qualquer canto do Brasil, se atitudes não forem tomadas por parte da Polícia e das próprias Torcidas Organizadas.

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Data e Hora em que foi cadastrado Segunda, 10/01/2011 às 13:56:51


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