Cada um com suas necessidades, Cruzeiro e Atlético foram às compras. Às vezes nem foi preciso comprar. No mercado da bola há troca, empréstimo e outras formas de negociações que resultam em idas e vindas de atletas. Galo e Raposa iniciam 2011 com muitas novidades. Pelo lado atleticano há maior euforia com a chegada de nove reforços. Já a torcida celeste, por enquanto, torce o nariz para as novidades apresentadas. A temporada está apenas começando e avaliações mais concretas só serão feitas no decorrer do semestre, principalmente quando a participação do Cruzeiro, na Taça Libertadores, e do Atlético, na Copa do Brasil, exigirem mais dos times comandados por Cuca e Dorival Júnior.
Cruzeiro
Sete jogadores contratados e apenas um provocou aplausos do torcedor: Leandro Guerreiro. Os outros seis nomes apresentados pela diretoria não receberam aplausos, pelo contrário: vaias. Alguns, de tão desconhecidos despertaram apenas a curiosidade.
André Dias, Reis, Geovani, Naldo e Fabrício tem futebol tão desconhecido que é impossível fazer qualquer previsão. Com os dois pés atrás, a torcida espera pelo pior, mas no fundo a esperança é de que algum desses se encaixe no time de Cuca e seja uma grata surpresa. Ortigoza é mais conhecido pela passagem (apagada) pelo Palmeiras e se juntará a Farías no perfil “atacante esforçado”.
Leandro Guerreiro, mesmo aos 32 anos, desperta confiança graças às atuações e raça dedicada ao Botafogo e chega com status de “guerreiro azul”. O volante tem apoio do técnico Cuca e da torcida. Dos seis reforços é o que mais agrada e foi um excelente negócio, o único até agora.
Detalhe: No Cruzeiro, Dimas Fonseca tem feito valer cada centavo do alto salário... de Eduardo Maluf, no Galo. Inexperiente, o braço direito de Zezé Perrella, que fez trabalho questionável nas categorias de base, não demonstra dominar o cargo que ocupa atualmente e nem ter o dom de contratar. Acrescente a passividade de Cuca que não deve ter exigido o suficiente da diretoria nas contratações. A política no clube é de pés no chão (atitude corretíssima por sinal), mas se Cuca tivesse batido o pé e Dimas fosse mais astuto, o clube teria apresentado algo melhor.
Atlético
Contratações anunciadas freneticamente pelo presidente no Twitter, nomes e mais nomes, um atrás do outro, como se qualquer um que fosse oferecido fosse aceito. Alexandre Kalil não tem medido esforços para tirar o Atlético da mesmice dos últimos anos. Mas a mesma estratégia de contratar no atacado resultou em desastre em 2010, o que deveria deixar os atleticanos escaldados.
Richarlyson e Leonardo Silva (que volta de lesão séria) são duas das contratações mais interessantes da atual temporada. Já os outros sete novos jogadores, provocaram nos atleticanos a mesma indiferença que os cruzeirenses tiveram com seus novos atletas. Mancini brigará com a condição física, mas se estiver "afim", terá tudo para ser o dono do time.
Jóbson tem contra ele o histórico de problemas extra-campo e além de provar que é um bom atacante, terá diariamente a missão de cumprir a promessa de que não vai aprontar. Toró, Magno Alves e Patric serão opções interessantes, já que o Atlético não tem um grupo tão forte (o que ficou escancarado durante o Campeonato Brasileiro), além dos titulares. Wesley e Giovanni vão compor o grupo, nada mais.
Detalhe: Várias contratações, reformulação total no grupo de jogadores e pressão por títulos. Tudo no Galo lembra 2010, mas um detalhe faz toda a diferença: Dorival Júnior. Se no ano passado o Atlético se deixou levar pela já desgastada filosofia de trabalho do “profexô” Luxemburgo, agora o time conta com um dos melhores e mais valorizados técnicos do país. Dorival tem peito para comandar qualquer grupo de jogadores e com uma pré-temporada inteira à disposição vai montar o Atlético do jeito que quiser. Com o grupo fortalecido e “partindo do zero” com Dorival, o Galo começa, finalmente, uma temporada otimista.