Rapha Garcia
Quando eu era moleque, no auge dos meus 12 anos de idade, acompanhava um time do Galo, que era quase perfeito. O time de 1999 foi o primeiro time que eu realmente prestei atenção. O chapéu que o Guilherme deu no Dida (na época, jogava no Corinthians) era o reflexo da qualidade técnica deste time.
E nesta época, a gente via um cara margeio, que jogava muito, corria mais ainda, e sabia, como ninguém, servir os companheiros de equipe. E nunca se incomodou com isso. Não apenas servia os companheiros, mas também servia a seus torcedores, proporcionando arrancadas maravilhosas e, eventualmente, alguns gol.
O grande diferencial desse garçom, em relação a tantos outros garçons do futebol mundial, era o fato de que ele não apenas vestia um uniforme para jogar, mas sim se sentia integrado à camisa, como se fosse uma segunda pele, como se jogador e camisa fossem apenas uma coisa indivisível, inseparável. Vestia o manto como todo verdadeiro torcedor atleticano veste.
11 anos depois de eu ver esse magricelo servir tantos matadores, podemos ver que praticamente nada mudou.
Ok, sejamos justos: a camisa 9 foi para outro matador, a vaga no time titular foi para outro garçom, mas existem coisas que continuam imutáveis: ele continua magricelo, continua servindo os outros quando joga, continua fazendo gols eventualmente e, principalmente, continua usando a camisa do glorioso Clube Atlético Mineiro como sua segunda pele.
O nome dele todo mundo já deve saber: Marques Batista de Abreu. Um ídolo da massa. Um ídolo à moda antiga. Daqueles que tem paixão pelo time que joga. Daqueles que deveriam ser tombados como patrimônio histórico atleticano, como Kafunga, Guará, Dadá, Cerezo, Reinaldo, Éder e agora o Tardelli.
Hoje, dia 19/05/10, Marques confirma que está se retirando do futebol para se dedicar à política. E eu, como atleticano que sou, desejo boa sorte ao nosso eterno garçom. Que ele possa servir nossa população com a mesma eficiência e perfeição que ele servia seus companheiros de equipe. E por baixo do terno e da gravata, que ele nunca se esqueça de carregar sua segunda pele: o manto atleticano.
Galo SEMPRE!