No Brasil o fascínio das crianças pelo futebol vem de berço. Muitos pais já ensinam a seus filhos que devem ter o seu “time do coração”, vibrar com seus sucessos e em alguns casos até brigar quando as coisas não vão bem... É como se os jogadores fossem protagonistas de um grande filme de ação, e que algum roteirista sempre escrevesse desfechos fantásticos para suas carreiras bem sucedidas.
E o sonho de conseguir um grande clube e jogar na Europa? Grande parte dos boleiros já se imagina vestindo camisas de clubes consagrados e tendo seus nomes mencionados pelas torcidas. É o fantástico mundo do futebol...
Seguindo esse sonho encontramos jogadores que se deram bem no velho continente. Salários astronômicos, manchetes de noticiários internacionais e até se tornar alvo de disputa entre times, tudo isso demonstra o reconhecimento e valoriza ainda mais seu passe. Quem não gostaria de ser um desses?
Mas na contramão de todo esse movimento existem alguns atletas que saíram do Brasil, levados por propostas de empresários e encontraram uma realidade bem diferente, como foi o caso de um jovem atleta nascido em Salvador chamado Márcio Bahia, que em 2001 começou sua carreira em um time que disputava a série B paranaense, onde fez parte das categorias de base e conseguiu tornar-se profissional.
A história do atleta parecia caminhar a largos passos para o grande reconhecimento, quando surgiu a proposta internacional. “Recebi a proposta de um empresário para jogar em um time de 3ª divisão na Alemanha chamado Krikeres Offenbarch. Ele ajudou a chegar ao país, mas depois me virei sozinho” – conta o atleta, que teve problemas com a adaptação, idioma e ainda enfrenta dificuldades para conseguir seu visto de permanência.
Após passar pelos “apertos” da vida fora de seu país, houve algumas conquistas, ainda um pouco distantes do tão esperado sucesso. Márcio hoje mora em Chipre e joga em uma equipe da 2ª divisão do futebol. “Perdi contratos melhores, por problemas com o passaporte europeu”, lembra o jovem, que também revela o sonho de voltar a jogar no Brasil – “É minha paixão e onde tudo começou, onde meus amigos jogam e onde aprendi a gostar de futebol...”