Por que torcedores do Atlético Mineiro não admitem torcer pelo Cruzeiro e nem a “china azul” assume a torcida pelo rival em certos momentos? Para mim não seria nada demais. O que me deixa intrigado é o fato de que os torcedores não aceitam a teoria de que, na prática, anseiam pela vitória do rival.
Trago essa questão por causa da rodada desse meio de semana: o Galo enfrentou o Corinthians ontem à noite, adversário direto da Raposa na disputa pelo título. Por sua vez, O Cruzeiro encara o Goiás hoje e uma vitória do time mineiro deixaria o Atlético mais tranquilo na luta para sair da zona de rebaixamento.
Qual cruzeirense não vibrou, pelo menos discretamente, com o gol de Zé Luis, aos 33 minutos do segundo tempo, que deu a vitória de virada ao Galo e ainda segurou o Timão na segunda posição, dando à Raposa condições de ultrapassar o time paulista hoje? E qual o atleticano não vai sentir um enorme alívio se o time da Toca vencer o goiano?
Uma vez, o atleticano Geraldo Magela - um taxista aposentado - me falou: atleticano que é atleticano não torce pelo Cruzeiro nem se o Atlético depender disso para ser campeão ou escapar de um rebaixamento e vice-versa. Será?
As torcidas são como irmãs. Uma torce pelo sucesso da outra, mas discretamente. Fica sem graça quando uma está ausente. Falta alguém para dividir as alegrias e as tristezas, para “zoar” e provocar, para se comparar. Comparar mesmo, verificar sempre quem é a maior, a mais empolgada e a que conquista mais.
A minha torcida é para que o futebol mineiro se desenvolva e apareça cada vez mais no cenário nacional e internacional. Espero poder presenciar os dois grandes de Minas disputando o título brasileiro. Aí sim, vou concordar que um não pode torcer pelo outro em hipótese alguma.