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Filosofia do fracasso
Kalil deixou o clube nas mãos do decadente Luxemburgo e quem sofre é o torcedor
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Luxemburgo tenta usar frases prontas para explicar derrotas
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Kalil já chegou a dizer que não sabe o que acontece no Galo

Um clube perdido, sem identidade, sem comando, sem time, sem o apoio da torcida. Poderia ser qualquer clube brasileiro em má situação e em qualquer campeonato. Mas nessa situação, muita gente descartaria o Atlético-MG, pelo fator “sem apoio da torcida”. Mas não dessa vez, realmente é do Galo que estou falando. Porque desta vez, o torcedor alvinegro, não parece querer apoiar aqueles que lá estão.

Na 17ª colocação, com 22 rodadas disputadas no Campeonato Brasileiro, o Atlético-MG, se for observada apenas a matemática, ainda está em uma situação até controlável. Mas a matemática esconde muita coisa e no caso do Galo, é muita mesmo.

No dia oito de dezembro do ano passado, o Atlético iniciou sua trajetória negativa na temporada. Ao anunciar Vanderlei Luxemburgo, o presidente Alexandre Kalil jogou fora um ano completo de reestruturação do clube. Um time barato, eficiente, um técnico trabalhador como Celso Roth, tudo isso foi varrido para fora do clube para que fosse implantada a filosofia (há anos ultrapassada) do “profexôr” Luxa.

Vanderlei Luxemburgo, que já quis se chamar Wanderley Luxemburgo, há muito tempo se esqueceu quem ele é na verdade. Supercampeão no futebol brasileiro, ele quis ser maior que o próprio talento e decidiu ser um “manager” e extrapolar as quatro linhas para trabalhar mais perto no ramo que mais o interessa atualmente: nas negociações, onde está o dinheiro.

Fracassos no Santos, no Palmeiras e no Santos novamente. Sem ter para onde ir e sem quem lhe estendesse a mão, Luxemburgo encontrou na inocência apaixonada de Alexandre Kalil o alvo perfeito. Conversas sobre filosofia de trabalho, equipe vencedora, currículo campeão, manager, contatos, empresários, fundo de investimento, tudo isso deve ter provocado uma confusão tão grande na cabeça do presidente atleticano que ele fechou contrato sem ver o que acabara de aprontar pra cima do seu tão amado clube.

Técnico decadente com salário de R$500 mil e uma enxurrada de jogadores caros, em condições físicas e técnicas deprimentes, além de um outro apanhado de atletas desconhecidos que o torcedor atleticano nem fazia idéia de onde surgiam. Um ex-árbitro, (Wagner Tardelli) amigão do manager nos tempos de apito, e algum tempo depois, demissão do departamento de fisioterapia para trazer outro amigo (Nilton Petrone, o Filé), tudo isso para montar uma extensa comissão técnica de R$250 mil mensais. Foi assim, com todos os poderes imagináveis, que Alexandre Kalil entregou o comando do Atlético-MG nas mãos, já não tão calejadas do trabalho à beira do campo, graças a boas manicures (caso antigo esse), de Vanderlei Luxemburgo.

Mas o futebol é jogado, como dizem os mais antigos (e mais sábios). Em campo, a estrela milionária Diego Souza torna-se um fiasco. Ricardinho tem lampejos do que já foi. No gol Luxa trouxe Fábio Costa, um goleiro que estava há um ano sem jogar no Santos, com grande parte desse tempo, encostado no clube. Não deu outra: falha atrás de falha. Réver foi anunciado com pompa para justificar ingressos a R$40. E assim outros tantos nomes que até agora não vingaram com a camisa alvinegra, todos contratados com a ordem do “profexôr” e com a obediência de Kalil, com o ambicioso projeto como justificativa.

O título estadual foi conquistado com muita garra, mas escondeu muita coisa. Veio a eliminação na Copa do Brasil para o Santos de Neymar, Robinho e Paulo Henrique Ganso que serviu para o manager se desfazer de alguns atletas que ele não tinha indicado e, por isso, não serviria para a equipe vencedora do projeto que ele havia guardado para o 2º semestre. Carlos Alberto, Muriqui, Correa e companhia foram embora e já deixam saudades. Mas viria o Campeonato Brasileiro que, esse sim, é cruel.

Rodada vai e rodada vem, e o time não encaixa, derrotas se acumulam e a reação fica cada vez mais longe dos olhos do atleticano. O manager disfarçado de treinador coloca em prática toda a sabedoria conquistada em anos de profissão para disparar frases prontas (“vai melhorar”, “time está evoluindo”, “falta muito”, jogamos bem”) para explicar derrotas cada vez mais inexplicáveis nas entrevistas coletivas. A falta de argumentos criou desculpas cretinas como o caso da “manteiga no pão”. Mas o repertório de desculpas esfarrapadas aprece estar longe de acabar, mesmo com 13 derrotas já acumuladas.

O torcedor do Atlético-MG conta cada rodada que passa. Já foram vinte e duas. São vinte e dois jogos em uma marcha que tem um destino trágico: A Série B. Se rebaixado não é vergonha para nenhum clube, mas a Segundona também não dá um pingo de orgulho. Mas ela fica cada vez mais nítida a cada rodada com Luxemburgo à frente do Atlético. E com Alexandre Kalil conivente com o destino do clube.

O torcedor perde as esperanças. Não acredita no time, como acreditou nos meninos da base em 2005, por um motivo lógico: não há meninos da base. Por mais que a matemática ainda não desperte tanto desespero e aponte uma reação até tranquila, nas arquibancadas a preocupação só aumenta. Já se passaram 22 rodadas... mas tudo está calmo e com vistas de que o trabalho anda muito bem no CT de Vespasiano e na sede de Lourdes, não é mesmo sr. Vanderlei Luxemburgo e sr. Alexandre Kalil?

(20/09/10) Atualização: Com a derrota para o Vitória (3x2), já são 23 rodadas que o torcedor atleticano espera, sentado, por solução

(23/09/10) Atualização: Com a derrota para o Fluminense (5x1), já são 24 rodadas que o torcedor atleticano espera, sentado, por solução


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Data e Hora em que foi cadastrado Quinta, 16/09/2010 às 11:11:39


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