5x0. À primeira vista, um placar comum, tratando-se de goleadas e competições normais. Mas esse foi o escore da vitória cruzeirense sobre seus algozes na final de 2009, os argentinos do Estudiantes, na primeira rodada do grupo 7 da fase principal da Taça Libertadores da América 2011.
A equipe celeste despertou certa desconfiança após perder o clássico do último domingo para o Atlético, 4x3. Para corrigir os erros da defesa, Maurício Victorino, titular na última Copa do Mundo pela seleção uruguaia, foi confirmado como titular. Já os “pincharratas” viajaram à Sete Lagoas, local da partida, com a presença certa de Leandro Desábato, que sentiu uma contratura muscular na vitória platense sobre o Newell’s Old Boys, 2x1, na rodada de abertura do Clausura argentino, também no último fim de semana.
Os mineiros começaram com tudo e abriram o placar logo aos 50 segundos de partida: Wallyson recebeu de Roger e chutou da entrada da área. A bola desviou em Germán Ré e enganou Augustini Orión, arqueiro do Estudiantes. Cruzeiro, 1x0. Não demorou muito, os argentinos logo entraram na partida, apostando em jogadas aéreas e muita posse de bola. Aos seis minutos, Leandro Benítez levantou na área, Gilberto tentou afastar, sem sucesso. No rebote, Federico Fernández meteu a cabeça nela para a primeira intervenção importante de Fábio, guarda-metas cruzeirense.
Dois minutos depois, “La Brujita” Sebastián Verón lançou Gabriel Mercado pela direita. Antes que ele chegasse à bola, Fábio a afastou. Na sobra, Verón mandou de primeira para a área. Henrique, de cabeça, afastou o perigo para escanteio.
A pressão alvirrubra só teve fim com o segundo gol celeste: Roger recebeu de Walter Montillo pela meia-esquerda, passou por Verón, e mandou para as redes, no cantinho direito de Orión, fazendo o 2x0. Quando se achava que o segundo revés tiraria o ânimo dos argentinos, Verón, aos 19, chuta forte, da intermediária. Fábio cai no canto direito e espalma. Aos 22, a resposta alvi-celeste: em rápido contra-ataque pela meia-direita, Montillo entra na área e chuta cruzado, para defesa firme de Orión. No minuto seguinte, em cobrança de falta pela direita, Verón (ele de novo!) levantou na área e Fábio afastou de soco.
Os minutos seguintes foram de muita movimentação argentina, enquanto os mineiros tocavam a bola no meio-campo, tentando acalmar o ímpeto platense, deixando o cronômetro fazer o resto do trabalho.
Aos 33, levantada de bola de Leandro Benítez, que Mercado cabeceou para tranqüila defesa de Fábio. Dois minutos depois, Victorino, do campo de defesa, levantou bola na área para Wellington Paulista. Lançamento saiu muito forte, e Orión facilmente ficou com ela. Aos 38, bola de Henrique para Wallyson, que avançou pela meia-direita e passou por Nelson Benítez, sofrendo falta logo a seguir. No lance seguinte, Roger recebeu, já na ponta esquerda, e cruzou rasteiro para Montillo, que driblou Orión e fez o seu, encerrando as ações da etapa inicial de jogo: Cruzeiro, 3x0.
A contenda continuou boa na etapa final, com Enzo Pérez recebendo pela meia-esquerda logo aos dois minutos. Ele avançou, entrou na área alvi-celeste, e levantou da linha de fundo. Fábio saiu do gol e ficou com a bola. Aos sete, foi a vez de Wallyson receber pela direita, ajeitar e fazer cruzamento nas mãos de Orión. Aos 14, Gilberto e Henrique tabelaram na entrada da área alvirrubra, e a defesa platense afastou para a ponta direita de ataque. Sem deixar a bola cair, Montillo pegou o rebote, arrematando de primeira e fazendo seu segundo gol no jogo, mesmo após os esforços contrários, sem sucesso, de Orión: Cruzeiro, 4x0.
Aos 24, mesmo com a larga desvantagem, os argentinos continuaram tentando: da esquerda de ataque, Verón levantou na área, Maxi Núñez desviou e Fábio interveio. Na tentativa de um possível rebote, Núñez ainda fez falta no arqueiro celeste. A fim de controlar a partida, o Cruzeiro passou a tocar a bola em seu campo de defesa, e numa bobeada de Victorino, aos 28, Verón pegou a sobra e acionou Pérez pela direita, que adentrou a área cruzeirense e chutou. Fábio espalmou, e Pérez não conseguiu aproveitar o rebote.
Aos 36, outro capítulo do duelo: Pérez recebeu na intermediária, e mandou colocado. Fábio garantiu o 0 para os argentinos com uma grande defesa, se esticando todo e mandando a bola à esquerda do gol. Na sobra, Thiago Ribeiro – que entrou no segundo tempo, na vaga de Wellington Paulista – acionou mais um rápido contra-ataque pela direita, assistenciando Diego Renan – que entrara no lugar do Gilberto –, que se enrolou com a bola – e a zaga “pincharrata”. Wallyson – novo xodó da torcida – pegou a sobra e fez seu segundo tento da noite. Placar final: Cruzeiro 5x0 Estudiantes.
E os cruzeirenses pareciam ter esquecido o freio de mão no vestiário: aos 43, Henrique tentou passe em profundidade. Porém a bola saiu forte, e Orión ficou com ela. A vitória cruzeirense foi o pior resultado da história do Estudiantes na Libertadores. Enquanto o Cruzeiro receberá, na próxima terça-feira, o Guarani, do Paraguai, na Arena do Jacaré, o Estudiantes receberá, um dia depois, no Ciudad de La Plata, os colombianos do Deportes Tolima, na segunda rodada do grupo 7 da fase principal.
Cruzeiro 5x0 Estudiantes
Data: 16 de Fevereiro de 2011
Local: Estádio Joaquim Henrique Nogueira, em Sete Lagoas, MG
Árbitro: Carlos Amarilla (Paraguai), assistenciado por seus compatriotas Milcíades Saldivar e Carlos Cáceres
Público: 10.950 pagantes
Renda Bruta: 377.267,50
Cruzeiro: Fábio; Pablo, Gil, Maurício Victorino, Gilberto (Diego Renan); Marquinhos Paraná, Henrique, Roger (Dudu), Walter Montillo; Wallyson, Wellington Paulista (Thiago Ribeiro). Técnico: Cuca
Estudiantes: Augustini Orión; Gabriel Mercado, Federico Fernández, Leandro Desábato, Germán Ré; Rodrigo Braña, Nelson Benítez, Leandro Benítez (Maxi Núñez), Sebastián Verón; Enzo Pérez, Gastón Fernandez (López Mora). Técnico: Eduardo Berizzo.
Gols: Wallyson, aos 50 segundos; Roger, aos 17; e Walter Montillo, aos 39, no primeiro tempo; Montillo, aos 14; e Wallyson, aos 37, no segundo tempo.
Cartões amarelos: Wellington Paulista (C), aos 16; Rodrigo Braña (E), aos 30; e Marquinhos Paraná (C), aos 36, na etapa inicial; Leandro Desábato (E), aos três; Henrique (C), aos oito; Nelson Benítez (E), aos nove; Federico Fernández (E), aos 17; e Gil (C), aos 40, na etapa final.