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Clássico contra o rebaixamento


Guilherme Amaral

Cruzeiro e Atlético travam neste Campeonato Brasileiro um clássico contra o rebaixamento. Os dois principais clubes de Minas Gerais devem passar todo o 2º Turno da competição brigando para definir qual dos dois ficará com uma temida vaga na Segundona em 2012. Pelos recentes resultados, nenhum dos dois quer perder a chance de visitar a Série B no ano que vem. E para acirrar ainda mais o clássico contra o rebaixamento, na última rodada os dois times vão se enfrentar, talvez em uma partida que defina a queda de um deles.

E a disputa particular entre Cruzeiro e Atlético pode ter começado já no clássico da 19ª rodada (última do 1º Turno). O Cruzeiro naquela oportunidade venceu por 2 a 1, na Arena do Jacaré, com torcida única do Galo. E é esse placar que distancia atualmente as duas equipes na tabela do Brasileirão. Com 28 rodadas disputadas, analisando a campanha de Raposa (16º, 30 pontos) e Galo (17º, 27 pontos) sem o resultado do clássico, os dois times possuem campanhas quase idênticas. Sem aquele 2 a 1, são sete vitórias para cada lado, seis empates e 14 derrotas. Os dois times marcaram 32 gols e a única diferença é que o Atlético sofreu 43 gols e o Cruzeiro 37.

O Atlético passou quase todo o Campeonato Brasileiro brigando para sair da zona do rebaixamento, algo bastante comum nas últimas temporadas alvinegras. O Cruzeiro, pelo contrário, nas últimas campanhas brigou pelo título, conquistando por quatro anos seguidos uma vaga na Libertadores. Esse desconhecimento do sério risco de rebaixamento é que coloca o Cruzeiro, na minha opinião, em situação mais delicada que o Atlético-MG.

A situação do Cruzeiro no campeonato é uma das piores de sua história e há muito tempo o clube não passava por algo parecido. Ninguém no clube (diretoria e aqueles que vivem o dia-a-dia dentro dele) sabe lidar com o desespero do rebaixamento. No Atlético a situação é diferente. Infelizmente, o clube já está calejado quando se trata de risco de queda para a Série B. Além de já ter sido rebaixado em 2005, no Galo todos já estão acostumados a lutar para permanecer na elite e não se vê o "climão" de crise, como existe no Cruzeiro.

Até a torcida dos dois clubes se comportam de forma diferente. Os atleticanos tem se especializado em agir nesse momento. Quando percebeu que o time não iria brigar na ponta da tabela, a torcida atleticana protestou e fez pressão, mas agora já sabe que a única atitude que lhe resta é de apoiar a equipe e tentar salvar mais uma temporada sem conquistas de algo ainda pior. Já o cruzeirense, sempre exigente (acostumou-se com os títulos da década de 90 e vive sonhando com o timaço de 2003), está perdido. Ele não sabe se protesta com mais veemência ou passa a apoiar o time. Há também aqueles que abandonaram o time, como o presidente Zezé Perrella, talvez esperando a oportunidade reaparecerem felizes, caso o time escape da degola, ou então iniciem manifestações de protesto após um rebaixamento decretado.

Ainda há chances de Atlético e Cruzeiro escaparem juntos do rebaixamento. Há também a chance dos dois caírem abraçados. Mas a possibilidade que parece mais nítida é que um dos dois acabe sendo rebaixado. Essa possibilidade vai caminhar junto de Atlético e Cruzeiro nas próximas 10 rodadas, em cada jogo, contra cada adversário. Em disputa estarão três pontos importantíssimos no campeonato e a luta particular com o rival. O clássico mineiro contra o rebaixamento tem nove rodadas pela frente e uma possível finalíssima na rodada de encerramento doBrasileirão.

Que Atlético e Cruzeiro vençam a luta contra o rebaixamento, mas se ao final não houver como os dois times escaparem, que permaneça na Série A o menos pior deles.

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Data e Hora em que foi cadastrado Quarta, 12/10/2011 às 14:49:24


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