Em 2010 o campeão brasileiro, provavelmente, será o Corinthians. Faltam hoje, 16 de novembro, três rodadas para o fim da competição e três times estão mais que vivos na briga pelo título (Corinthians, Fluminense e Cruzeiro), mas não há dúvida de qual deles levantará o troféu. Ou um milagre dos deuses do futebol (talvez eles existam) acontece, ou será preciso que o Sobrenatural de Almeida entre em campo para que a taça escape das mãos corintianas.
O fato, lamentável, desse Brasileirão é que todos sabem que o Corinthians é o favorito, não pelo futebol jogado nas quatro linhas, mas pelo imbatível esquema tático a favor do clube nos bastidores. Qualquer um que conheça minimamente como é a generosa amizade entre o presidente da CBF (Casa Bandida do Futebol), Ricardo Teixeira, e o mandatário corintiano, Andres Sanches, sabe do que eles são capazes para agradar um ao outro. Cosme Rímoli destacou isso muito bem aqui, ainda em 15 de setembro.
A questão não é um jogo, como o episódio de Corinthians x Cruzeiro, em que o time paulista foi beneficiado pela arbitragem, mas uma série de resultados, em jogos do Corinthians e em partidas de interesse direto do clube paulista. Resultados que somados, beneficiam e muito o time corintiano na tabela de classificação e estão decidindo o campeonato. Só que a revolta cruzeirense, assim como tantas outras, não tem utilidade nenhuma e só serve para dar satisfação à torcida. O resultado não vai mudar, o árbitro não será punido e um clube do eixo Rio-São Paulo será mais uma vez beneficiado. Essa é a triste rotina do futebol brasileiro.
Ao que tudo indica, teremos em 2010 um campeão brasileiro em plena festa do centenário, com tudo que tem direito: troféu, comemoração, reconhecimento, etc. Mas, assim como o Vasco campeão em 1974, o próprio Corinthians em 2005, a classificação do Flamengo contra o Atlético-MG na Libertadores de 1981, o Vasco campeão da bizarra Copa João Havelange em 2000, entre outros, esse episódio sempre será acompanhado de um incômodo asterisco. Teremos um campeão sem o digno merecimento. Haverá sempre alguém para marcar em negrito o asterisco e contar o que aconteceu em inúmeras rodadas do Campeonato Brasileiro de 2010. Assim como há sempre alguém para lembrar do lance de Tinga em 2005, a atuação de José Roberto Wrigth em 1981, o gol cruzeirense anulado em 1974, entre tantos outros fatos, que nos provam que nem todo campeão o é com dignidade.
Obs.: É questão de tempo. Sandro Meira Ricci, que apitou Corinthians x Cruzeiro, receberá como prêmio da CBF a indicação para substituir Carlos Eugênio Simon no quadro de árbitros da FIFA. Aguardem.