AMÉRICA : UM CASO DE REGULARIDADE ÀS AVESSAS
Elias Freitas
Há umas duas semanas atrás quando “passeava” pelo facebook, lancei uma pergunta sobre quem arriscava um prognóstico para um dos jogos do América. Meu amigo Ramon com muito senso de humor e presença de espírito, respondeu: “vamos manter a regularidade, vamos perder”. Resposta engraçada e irônica, sem dúvida, mas se pensarmos bem veremos que ela tem um fundo de razão: o América está vivendo uma espécie de “regularidade negativa”. Explicando melhor, sempre as mesmas deficiências, os mesmos erros e , consequentemente, os mesmos resultados.
Se começarmos pelo sistema defensivo, veremos que em quase todos os jogos tomamos aqueles gols que na gíria dos boleiros chamam-se bobos. Me lembro do jogo contra o Avaí, ainda no primeiro turno, quando levamos o gol de empate aos 48 minutos do segundo tempo quando a zaga não subiu e o jogador que arrematou estava livre de marcação. Se a defesa de um time começa pela marcação no meio, tivemos, também, problemas recorrentes com isso. A bem da verdade o único volante que cumpre de forma razoável essa função é o Dudu, jogadores como o Amaral não mostraram a que vieram quando o assunto é a contenção. O China parece ter mesmo potencial mas não foi aquele jogador solução para o problema.
A criação... Bem , a criação ficou a cargo do Rodriguinho que , definitivamente, não tem esse perfil. Não demos sorte com o Netinho de quem muito se esperava. Mas alguns jogadores como o Fabrício não tiveram muitas oportunidades. O caso desse jogador eu não entendi já que a meu ver tem mais qualidade como armador que o Rodriguinho. O ataque foi um setor onde muito se experimentou. Mas talvez tenha sido o mais eficiente, já que marcamos muitos gols, o problema é que levamos muitos também. Acho que não se pode reprovar um ataque que faz, por exemplo, dois gols no Inter dentro do Beira-Rio. Lamentável aí foi o azar do Alessandro e seu histórico de contusões.
Os alas (estou tendo como referência o esquema 3-5-2) Gilson e Marcos Rocha se saíram bem. Pena foi que os adversários perceberam a eficiência da subida desses jogadores e postaram atacantes velozes nas costas deles. Sem uma cobertura eficiente dos volantes ou levamos gols ou seguramos os alas, enfraquecendo nossas jogadas de ataque.
Finalmente há que se ressaltar algumas deficiências decorrentes da atuação dos técnicos que dirigiram a equipe nessa competição. Mauro Fernandes demorou muito a perceber que seu esquema não dava certo. Sobre o Antônio Lopes pouca coisa a dizer. O Givanildo arma bem a equipe que sempre tem um bom início, mas como uma partida de futebol é dinâmica falta a ele saber adequar o time às circunstâncias do jogo. Isso o leva a substituições equivocadas etc.
Por essa regularidade às avessas parece que nosso destino é mesmo a série B do ano que vem. Mas há quem ainda acredite que sairemos dessa. A meu muito difícil. Não é todo o dia que todos nossos concorrentes diretos perdem. Se não tiramos proveito disso falar o quê?
Saudações americanas
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