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América e... torcida?
Vinnícius Silva/futeboldeminas arquivo

Pasmem os senhores: não tive nenhum contato com torcedor americano essa semana. Aliás, desde não sei quanto tempo. A verdade é que os poucos torcedores do América que eu conheço são jornalistas antigos ou alguns senhores esperançosos de que um dia as coisas melhorem. A frase que sempre repetem é “meu time é o único decacampeão” - em referência à sequência de títulos do Campeonato Mineiro conquistados pelo clube de 1916 a 1925.

Não critico torcidas que pensam assim, mas me pergunto o que se passa na cabeça dos dirigentes que, ano após ano, década após década, veem o time deixar de ser um dos mais populares do país (primeira metade do século XX). Será que não fizeram o possível para preservar a história do clube e por isso as novas gerações não se identificam com o Coelho? E o que seria esse “possível”?

Não tenho resposta. Só me lembro de que os clubes que preservam ou conquistam grandes torcidas são aqueles que sempre estão disputando títulos ou, pelo menos, demonstram que estão trabalhando para isso.

Vejam o Flamengo, clube que ganhou mais torcida nos últimos trinta anos: até a década de 1970, era mero coadjuvante no futebol brasileiro. Começou os anos 1980 abocanhando o campeonato nacional, a Libertadores e o mundial. Conquistou simpatizantes pelo Brasil afora e, apesar do jejum da década de 1990 e início deste século, consegue lotar os estádios mesmo quando o time não corresponde. Não tenho explicação para isso também, embora observe que o clube carioca sempre passa a imagem de que pode tudo. Atolado em dívidas, sempre procura os melhores negócios.

Talvez esteja aí a explicação. O América se desfaz com certa facilidade de um de seus principais patrimônios: os jogadores da base. Nomes que fizeram sucesso internacional (Gilberto Silva, Fred, etc) saíram do clube por um preço muito aquém do que poderiam valer. Até concordo que a nossa economia não permite competição com clubes europeus e outros blá, blá, blá dos cartolas brasileiros. Mas vem à minha cabeça o exemplo do Santos. O clube paulista conseguiu manter os “meninos da Vila” campeões de 2002 até conseguir uma valorização (Robinho permaneceu na Vila até 2005) e, agora, mantém alguns campeões da Copa do Brasil desse ano. É questão de esforço.

O América Mineiro está bem esse ano - dentro e fora das quatro linhas - e tem tudo para voltar à elite do futebol brasileiro. Que a diretoria continue trabalhando assim. Vai ser bom para o futebol mineiro, para o próprio clube e, principalmente, para os poucos e fiéis torcedores que nunca o abandonaram.

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Data e Hora em que foi cadastrado Quinta, 16/09/2010 às 15:48:28


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